|o (des)entendimento|

Até o primeiro ano do ensino médio, não entendia a malícia envolvida por trás da música sabão crá-crá. Sim, imaginava uma sacola de mercado com cabelos dentro! Acredite se quiser.

Nunca fui muito rápida para entender tais entrelinhas: malícia, ironia, sarcasmo. Isso é bom por um lado, porque eu não fico triste ou envergonhada (a ignorância é um benção). Mas, por outro lado, é terrível, pois sou motivo de chacota e perco um pouco a noção de como lidar com as pessoas.

Estávamos eu e uma amiga em frente ao nosso colégio. De repente sentou ao nosso lado uma garota da turma. Ela começou a reclamar sobre suas amigas, que elas eram isso, eram aquilo… Passados 15 minutos de desabafo, ela foi embora. Olhei para a cara da minha amiga e falei:”Que feio! Isso que elas são amigas!”. Minha amiga com o maior entendimento do mundo falou:”Lu, ela está nervosa, não tem nem noção do que está falando. Daqui a pouco elas voltam a se falar”.

Na hora, fiquei menor do que já sou. Parei de pensar sobre falsidade e comecei a pensar sobre como eu queria ter esse entendimento da minha amiga, para poder errar menos e parar de falar alguns preconceitos de quem não sabe ler entrelinha.

Muitas vezes, as coisas estão acontecendo ao nosso redor, mas nós só estamos vendo aquilo que nos convêm, não dando conta que nem tudo é o que vemos. Acho isso complexo, mas nada que um treino diário não possa clarear essa entrelinha em Arial 4.

Boa tarde.

|o choro da árvore|

Tinha uma árvore na casa em que morei quando era criança. Mas, por não sei quais motivos, foram cortados todos os seus galhos e ela ficou soltando uma gosma durante muito tempo até o dia em que ela morreu. Perguntei para a minha mãe o que era aquela substância que a árvore estava liberando, e então ela me explicou:”Lu, a árvore está chorando!”.

Então, todo dia em que passava perto do tronco, eu notava se ela ainda estava chorando. E fiz isso até o dia em que ela foi retirada do quintal.

Hoje, eu entendo que aquilo não era choro, era seiva. Mas, honestamente, tanto faz… Tanto faz, porque, cada dia mais, me deparo com uma vida mais cheia de conhecimento e de competições de sapiência que não levam a lugar algum.

Claro que a área do conhecimento em que me esforço para saber mais, eu posso ter bastante propriedade para debater. Contudo, não adianta falar com alguém de outras áreas e querer mostrar o que sei de uma forma rude, usando palavras técnicas. Acredito que seria uma atitude retardada, assim como se minha mãe tivesse me explicado cientificamente que na verdade a árvore não estava chorando.

Devemos admitir que a gente não sabe tudo sobre tudo e que não fomos criados para isso também. Embora haja pessoas que saibam conversar sobre tudo um pouco, não há necessidade de se discutir tão a fundo tudo sobre tudo, porque essa situação é chata e acaba afastando a pessoa que é indagada da que fica indagando.

Aceito até hoje que a árvore estava chorando, mesmo sabendo o que estava acontecendo. Aceito que coelho bota ovo durante a páscoa. Aceito beber Coca-Cola, mesmo sabendo que faz mal. Logo, se tudo é contraditório com o que real, porque aceito ? Aceito, pois, ainda que o conhecimento esteja aí na porta, eu quero ser feliz com aquilo que a minha moral e princípios permitem.

Eu quero comer coxinha e pensar que delícia é a oportunidade de ingerir algo tão bom sem me preocupar no óleo que pode me deixar gorda. Quero me deliciar com a sombra de uma árvore sem pensar na composição dela. Quero estourar plástico bolha me deliciando ao som de cada “barulhinho”. Eu quero ser livre desse anseio do saber constante e curtir aquilo que realmente importa no momento tendo como consequência ser mais feliz comigo mesma.

E para finalizar, a árvore estava chorando.

Boa tarde!

|o peso de porta|

De que adianta uma porta aberta se existe corrente de vento?

A porta do meu quarto me irrita. Quando ela está aberta, é preciso um peso para que ela não feche. Quando está fechada, é preciso um peso para diminuir a folga que há entre ela e o batente para que não haja ruídos.

Antes de passar na faculdade, ouvi diversas vezes coisas do tipo: “se você fizer universidade particular, você terá que bater em mais portas”, “passando em uma instituição pública, todas as portas de abrirão!”. Na hora, esses comentários pareceram bastante coerentes. Entretanto, hoje, vejo que não é tão simples essa lógica.

Parece óbvio, mas de que adianta ter uma porta ou uma janela (para os mais otimistas) aberta, se há fatores externos que podem fechá-las? Se há chefes para demitirem? Se há namorados para terminarem namoros? Se há professores para te fazerem bombar?

Logo, é interessante não pensar somente na abertura da porta, mas, também, em como deixá-la aberta.

Creio que segurar a porta com uma pedra de diamante, não seja algo interessante. Contudo, acredito que pesos de: inovação, carinho, conhecimento, podem ser muito válidos.

Existem diversos tipos de pesos de porta, mas não podemos esquecer que eles se desgastam. Com isso, é preciso estar em constante atenção e crescimento pessoal, para que o peso cumpra seu papel com êxito.

Ou seja, para toda porta, deve haver um peso. Contudo, cabe a cada um de nós saber optar qual usaremos para não sermos supreendidos com uma portada na cara.

Além disso, a escolha correta do peso de porta é importantíssima quando vemos que há mais portas que emperram fechadas do que abertas.

Boa tarde, queridos seres humanos!

|o irmão|

Quem tem irmão mais velho sabe muito bem o que é herança. Principalmente, quando o assunto é roupa.

Quando criança, usei muita roupa que fora da minha irmã. Às vezes, as roupas eram legais, mas, em outros momentos, eu não aceitava usá-las nem que me comprassem um doce. O tempo passou e hoje eu tenho roupas com o meu estilo.

O Brasil também tem um “super” irmão, ou “Big Brother”, o EUA. E sendo irmão mais novo, o nosso país recebe bastante influência do seu irmão mais velho. São músicas, filmes, camisetas escritas em inglês, “sale 50% off”, e outras coisas.

Não penso que seja ruim a relação desses dois irmãos. O único problema é que nós não falamos a mesma língua. Logo, muitas vezes, não entendemos o que está escrito em roupas ou em lojas e aceitamos engolir o desconhecimento em prol do “chic”, em prol do “elegante”.

O Brasil pode não ser rico, mas a nossa língua e a nossa cultura é o que temos de mais precioso.

Ou seja, da mesma forma que os irmãos mais novos crescem e adotam um estilo de vida para si, poderíamos ajudar o nosso país a assumir a sua identidade falando o português que nós entendemos.

|a mosca|

Eu não suporto moscas. Simplesmente, detesto esse bichinho nojento que sofre metamorfose até virar adulto propriamente dito, ou maldito…

Primeiramente, eu não gosto delas por causa do seu estilo de vida que consiste, basicamente, em comer fezes e provocar doenças.

Sobre sua alimentação: elas comem coisas boas, como pus, catarro e outros “alimentos” líquidos e pastosos. Contudo, elas não conseguem comer sólidos, logo, elas lançam sua saliva no alimento para dissolvê-lo e assim poderem ingeri-lo.

Curiosidade: as moscas, quando estão paradas, ficam esfregando uma patinha na outra, porque esse é o ritual de higiene delas. É dessa maneira que elas tiram todas as porcarias que grudaram em suas “perninhas”.

Enfim… Farei uma comparação com pessoas que considero “babacas”. Isso não significa que eu seja perfeita, ok?

As pessoas nascem e também sofrem uma metamorfose. São várias as fases que passamos até sermos “maduros”. Mas, as nossas funções no mundo somente serão definidas pela nossa personalidade concatenada ao tipo de pessoas que nós decidimos “rodear”.

Algumas pessoas preferem rodear coisas boas e outras, fezes.

Algumas pessoas gostam tanto de excretas que fazem de tudo para entender como esse mundo funciona. Elas simplesmente se esforçam para digerirem o que a pessoa que elas “rodeiam” faz, para poderem fazer o mesmo ou fazerem parte de um grupo.

Felizmente, muitas pessoas deixam de serem moscas em algum momento da vida e param de rodear cocô. Mas, algumas tentam, se limpam de toda sujeira, e acabam pisando novamente onde não devem, prolongando esse ciclo por um bom tempo.

Posso até dizer que o movimento que os vilões de desenhos animados fazem com as mãos quando eles estão maquinando alguma bobagem, tipo o Dick Vigarista, é o mesmo movimento que as moscas fazem. Contudo com uma finalidade contrária.

Enfim… Todos nós temos o nosso período mosca, onde a gente simplesmente segue o que não deve e, de certo modo, viramos fezes para outras moscas seguirem. Contudo, todo dia é dia de tomarmos um rumo diferente.

Feliz dia do trabalho!

|o flash|

Quem já ficou com aquela bolinha branca na vista, sabe bem o poder que um flash tem. Pois ele, além de iluminar o local onde queremos fotografar, não deixa somente a foto mais bonita, mas, também, um incomodo na nossa vista. Ou seja, para que uma foto saia em uma qualidade melhor, precisamos passar por um leve desconforto.

Nesse último mês, eu aprendi muito o valor do flash. Mas, além disso, eu aprendi como ser um flash.  E… Mais louco ainda, notei que todos somos flashs… (Não, eu não fumei, não bebi, não mudei de opção sexual e nem me droguei…).

O que eu quero dizer com essa história de flash é: todos temos algo para dizer, fazer, mostrar que pode incomodar a visão de outro alguém. Um exemplo: quando eu era criança, eu fui comemorar meu aniversário no Parque do Gugu. Quando chegou a tarde, uma chuva muito louca alagou o shopping onde o parque ficava situado. Contudo, no meio dessa loucura, havia um homem que carregava a sua esposa de cavalinho pelo meio da enchente.

O exemplo acima pode parecer tosco, mas aquilo me marcou. Mudou a minha vida? Sinceramente, não! Mas ficou como lembrança. Foi um flash que esse rapaz lançou e que ficou registrado na minha memória.

Leitor, na sua memória, também há diversos flashes, tipo quando você levou uma bronca dos seus pais, ou quando o seu irmão nasceu, aquele show irado que você quase vendeu o seu rim para pagar o ingresso… Enfim, somos receptores de flashes desde que nascemos. Sejam estes bons ou ruins.

Também somos emissores de flash. Capazes de emitir flashes bons, como quando você ajuda uma senhora a atravessar a rua, ou flashes ruins, como quando você faz alguém de trouxa. Sempre seremos criadores de histórias e memórias, mas o que nos diferencia uns dos outros é: a qualidade da foto que o nosso flash gera.

Enfim… Há um texto que diz para sermos a luz do mundo, ou seja, sermos diferentes e mostrarmos que o mundo pode ser melhor se começarmos com a gente (“Você quer um milagre? Seja um milagre!”). Digo que isso é um desafio diário, mas que, ao mesmo tempo, é super recompensador. Enfim… Cada um escolhe aquilo que quer ser.

O que você acha de incomodar a vista da galera?

Obs.: nem todo mundo gosta de ter a vista incomodada, tenha cautela. (:

|as entrelinhas|

Eu amo as entrelinhas. Aquele dizer sem dizer nada. Aquele olhar de mortal de mãe. Aquelas frases com sentido oposto…

É como uma pessoa que não sabe mentir e o faz. Ela não precisa contar a verdade, pois está no olhar dela que algo está estranho. Ou, então, é como aquela briga de casal onde o homem diz:”se você não parar, eu vou embora.” e a mulher diz:”vai!”, mas ele sabe que ela não quer que ele vá.

As entrelinhas estão por todos os cantos. Se algo não está funcionando bem é por que tem alguma coisa que a está impedindo de funcionar como deveria. Como diz o dito popular:”tem algo por trás disso”, “tem algo por baixo do pano”. Sempre têm entrelinhas. E o que devemos fazer para notá-las?

Eu penso que para notá-las a observação é fundamental. Se você faz o que todos fazem e isto não está funcionando, por que não mudar? Você acha que as pessoas que mais inovaram no mundo pensavam quadradinho? Elas tiveram a sabedoria de olhar as entrelinhas e ver o que elas podiam mudar.  Um exemplo: Newton não descobriu a força da gravidade porque a maçã caiu na cabeça dele; ele descobriu pois teve a capacidade de analisar o que ninguém jamais tinha se atentado.

Além disso, penso que maturidade também influi. Não adianta você querer entender coisas que você ainda não tem vivência para opinar… Eu não posso falar que seria fácil falar “não” para os meus filhos se eu não tenho filhos, por exemplo.

Contudo, o mais legal de tudo isso, não é interpretar as entrelinhas, é conseguir criá-las. Não somente por serem “indiretas”, mas por você dizer algo que não está dito, ou, muitas vezes, algo que para alguém em especial terá um significado diferente. Mas seja cauteloso, professores não conhecem essa história de entrelinhas rs.

Enfim, o mundo é feito de entrelinhas, basta ter a maturidade suficiente para interpretá-las. Vamos tentar?