|o arroz e feijão|

O restaurante universitário, ou RU, não é o lugar favorito de muita gente, mas é lá que muitas pessoas vão todos os dias para salvarem seu pequeno orçamento universitário.

Arroz, feijão e carne. Arroz, feijão e kibe. Arroz, feijão e nuggets. Arroz, feijão e frango fimose. Arroz, feijão e… Uma rotina chamada arroz e feijão. Uma rotina chamada provas. Uma rotina chamada estudos. Uma rotina chamada faculdade.

Todo dia o mesmo gosto de arroz e feijão. Acordar, engolir um café por ter dormido uns cinco minutos a mais, ir para a faculdade, bandejar, tirar uma soneca, voltar para casa, estudar, bandejar, estudar, dormir. Arroz e feijão.

Minha rotina é tão regrada que quando me chamam para comer uma coxinha no bar que fica subindo o morro, eu morro de emoção. Quando tem pudim com gosto pseudo-baunilha-sem-gosto-de-baunilha no “bandeco”, eu abro um sorriso tão largo que você não imagina.

Presa pelas garras da rotina, essa sou eu nesse período. Mas… Em meio a tanto pessimismo do arroz e feijão eu consigo valorizar qualquer brecha, qualquer festa, qualquer piada que me faz mais feliz e me livra dessa fase tão penosa.

O vestibular me trouxe essa rotina. Mas, também, me trouxe um mundo tão interessante de se conhecer, pessoas tão legais, novos sonhos, amadurecimento. E são nesses momentos em que vejo além do ridículo sentimento de zerar uma prova, que eu degusto uma suculenta picanha.

Quem quer, consegue olhar além do que tem a sua frente.

Boa tarde!

Ps.: O pudim do “bandeco” me faz alguém melhor.

Anúncios

|a lombada|

Esperando a minha irmã me buscar em um shopping de São Paulo, reparei que todos os carros paravam na faixa de pedestre. Achei bastante curioso o fato, já que, na “terra da garoa”, você coloca o pé no asfalto e quase ganha uma cadeira de rodas de brinde. Entretanto, chegando mais próximo da faixa, entendi o motivo da parada dos motoristas: pintaram uma faixa em cima de uma lombada. Ótima estratégia para desacelerar pessoas tão sem tempo.

No início desse ano, conheci algumas cidades do país. Dentre elas, visitei uma tão pequena quanto charmosa chamada Cidade Gaúcha, que curiosamente não fica no Rio Grande do Sul, mas no Paraná. Acredito que esse município foi inteiramente planejado, já que suas ruas são perfeitamente iguais e o mapa da cidade é algo impressionante. Embora seja um lugar bastante calmo, lá também têm lombadas. Muitas lombadas. Ótima estratégia para acordar turistas que andam a dois por hora para conhecer a cidade (eu).

Cada uma das situações acima me faz relacionar pessoas a eventos. Há pessoas que são tão acomodadas com as coisas do dia a dia que somente um tapa na cara para tirar esses indivíduos da zona de conforto e fazê-los acordar para a vida. Em contrapartida, existe outro grupo seleto seres humanos que querem tudo para ontem, são ansiosas, não se importam com a hora do Brasil e comem o bolo cru.

Para ambos os casos, há lombadas. Mas penso elas não devem ser tratadas como algo ruim só porque atrapalham a velocidade do caminhar. Elas existem para que as pessoas tenham maior atenção durante uma vida tão automática que é a que vivemos hoje em dia. Existem para que lembremos que há fatores externos que podem mudar o que somos e como agimos. Exemplos de lombadas são: uma notícia inesperada, um almoço que deu errado, um convite de última hora, um recado de um amigo…

Em suma, se surgir uma lombada na sua frente, acorde do seu desespero ou da sua malemolência, porque a vida é muito mais do que seguir os ponteiros do seu relógio ou olhar para o seu próprio umbigo.

Boa tarde!