|o clipes|

Certa vez, peguei um clipes que estava no meio das coisas da minha irmã e comecei a usar. Mas, devo explicar que não era um simples clipes. Ele veio de Itu, só pode, já que era enorme.

Um arrependimento muito grande me bateu quando usei esse “querido” clipes, pois ele marcou todas as folhas que estavam presas de tal maneira que viraram folhas de rascunho.

Se considerarmos que nós somos as folhas e o clipes é o motivo, podemos dizer que nos unimos a diferentes pessoas por causa de diferentes motivos. Então, o motivo de nos unirmos às outras pessoas modificam o que somos.

Por vezes, tomamos o motivo pelo qual nos juntamos aos outros tão grandioso que nos machucamos. Por exemplo, quando nos unimos aos outros por causa de um problema e, com o tempo, você ainda acredita na relevância dele, mas as outras pessoa não, então você se machuca.

Já em outros momentos, acreditamos que um motivo mínimo é o suficiente para nos unir a muitas outras pessoas, e acabamos nos perdendo. Como é o caso de uma passeata que não dá certo pela pauta não ser tão promissora.

Contudo, felizmente há o caso em que o clipes é do tamanho certo e deixa a marca certa nas pessoas. Isso é o que eu chamo de amizade, já que prende mas não aprisiona, já que marca mas não machuca.

Você tem sido preso pelos clipes certos?

Boa tarde!

|o arroz e feijão|

O restaurante universitário, ou RU, não é o lugar favorito de muita gente, mas é lá que muitas pessoas vão todos os dias para salvarem seu pequeno orçamento universitário.

Arroz, feijão e carne. Arroz, feijão e kibe. Arroz, feijão e nuggets. Arroz, feijão e frango fimose. Arroz, feijão e… Uma rotina chamada arroz e feijão. Uma rotina chamada provas. Uma rotina chamada estudos. Uma rotina chamada faculdade.

Todo dia o mesmo gosto de arroz e feijão. Acordar, engolir um café por ter dormido uns cinco minutos a mais, ir para a faculdade, bandejar, tirar uma soneca, voltar para casa, estudar, bandejar, estudar, dormir. Arroz e feijão.

Minha rotina é tão regrada que quando me chamam para comer uma coxinha no bar que fica subindo o morro, eu morro de emoção. Quando tem pudim com gosto pseudo-baunilha-sem-gosto-de-baunilha no “bandeco”, eu abro um sorriso tão largo que você não imagina.

Presa pelas garras da rotina, essa sou eu nesse período. Mas… Em meio a tanto pessimismo do arroz e feijão eu consigo valorizar qualquer brecha, qualquer festa, qualquer piada que me faz mais feliz e me livra dessa fase tão penosa.

O vestibular me trouxe essa rotina. Mas, também, me trouxe um mundo tão interessante de se conhecer, pessoas tão legais, novos sonhos, amadurecimento. E são nesses momentos em que vejo além do ridículo sentimento de zerar uma prova, que eu degusto uma suculenta picanha.

Quem quer, consegue olhar além do que tem a sua frente.

Boa tarde!

Ps.: O pudim do “bandeco” me faz alguém melhor.

|o brigadeiro|

Hoje, cometerei a ousadia de usar um brigadeiro para falar sobre amor.

Quando falam “brigadeiro”, imagino um doce redondo, preto, com granulado dentro de uma forminha de papel. Mesmo que 90% dos brigadeiros que já comi fossem de colher, uns muito moles, outros muito duros, alguns com uns empelotados de quase queimados. Ou seja, eles tinham um aspecto próximo a um cocô, aceitemos, essa é a realidade!

Contudo, mesmo o brigadeiro tendo a textura e cor de fezes, ele não deixa de ser brigadeiro e de dar água na boca das pessoas. Sim, brigadeiro é bom! Estando no formato que for: colher, copo, bolinha com granulado. Ele é bom. E, por quê? Porque a base se seus ingredientes é a mesma o que muda é o preparo.

Primeiro vem a paixão, depois, o amor. Uma escolha racional. Escolhemos amar.

Gostaria que o amor fosse igual ao gosto por brigadeiro. O amor muda, amadurece, mas continua sendo amor. As pessoas mudam fisicamente, mas continuam sendo pessoas. Tento entender a complexidade que é amar uma pessoa quando esta perde um braço, uma perna, um movimento.

Seria lindo se entendêssemos que escolher amar alguém, envolve amar o que a pessoa genuinamente é, sabendo que ela pode engordar, emagrecer, sofrer um acidente. Amor de aparência é roubada, porque as pessoas mudam fisicamente e com isso este amor muda e tudo pode acabar. Amar a combinação leite condensado + manteiga + achocolatado, independente do resultado final, é lindo, é puro, é eterno.

O amor é doce quando é Amor.

Beijos 🙂

|o cabelo|

Há tempo, li um texto sobre viajar, onde dizia que não é necessário justificar o porquê de fazer uma viagem. Se você têm dinheiro, tempo e disposição, isso é mais que suficiente para conhecer lugares novos.

Era por volta das 14h de uma segunda qualquer, liguei para a minha mãe contando a novidade: “Cortei o cabelo!”. Claro, se eu tivesse cortado “3 dedinhos” não seria motivo para ligar, não é mesmo?! “Cortei maria joão!”, disse. Ela respondeu: “você corta o cabelo curto assim e não pergunta para ninguém? Doidinha!”.

Foi interessante a reação das pessoas com o meu corte, uma mistura de espanto, surpresa, houve aqueles que não gostaram, normal. Mas, parando para pensar sobre o que fiz, noto que só rompi meu próprio padrão perdurado por uns 16 anos.

Qualquer mudança que temos chama a atenção alheia, tanto se é para nos agradar quanto para agradar ao outros. Somos observados diariamente, ninguém é invisível. Por mais que você pense que você é camuflado, alguém te vê, acredite.

Pois bem, contei somente para uma pessoa antes de cortar, cortei e estou ótima. Acredito que pedir muito conselho sobre uma vontade terá consequências somente sobre você, é pedir para permanecer no seu próprio padrão. Se tiver oportunidades, não deixe o medo dos outros estragar suas vontades.

Beijos, ter cabelo curto é ótimo ❤

|a universidade|

Um amigo fazia universidade particular e se transferiu para uma faculdade pública. Minha tia saiu de São Paulo e se mudou para o interior da Bahia. Qual a relação entre os dois? Veremos…

A primeira reclamação desse meu amigo quando mudou de faculdade foi: “aqui as pessoas competem muito entre si, na particular não era assim”.  Sim, como aluna de instituição pública posso confirmar que as pessoas competem muito umas com as outras. Mas eu entendo (mesmo achando ruim) o porquê da competição: as oportunidades. Quem tem as melhores notas, consegue as melhores vagas de intercâmbio, as melhores iniciações científicas e outras coisas.

Conversando com outros amigos de escola particular, notei que eles não tem essa “neura” de ser melhor que o coleguinha, mas sim, de conseguir acompanhar o curso para poder se formar logo. Parece que deixam a competição mais para o mercado de trabalho. Contudo, creio que há exceções.

Em janeiro fui visitar a minha tia no interior da Bahia. A cidade é bastante isolada, têm uns cinco mil habitantes e a energia elétrica cai a cada chuva. Mas foi interessante descobrir que mesmo com todos esses problemas, 90% das pessoas que conheci nasceram lá e permanecem morando na cidade.

Eu me perguntei por que esse pessoal não tentou mudar de cidade, ter um emprego bom e todas as coisas que todos os paulistanos lutam na vida. A resposta foi rápida: as pessoas não precisam competir ferrenhamente para ter o pão de cada dia e eles estavam felizes com o que tinham.

Acredito que esse pensamento competitivo vem da cidade grande, essa ânsia por sempre querer mais. E isso ocorre porque, assim como na faculdade pública, na cidade grande, as pessoas precisam ser muito boas no que fazem para conseguirem as melhores oportunidades, nem que isso as deixem cegas. Muitas pessoas se esforçam tanto para serem melhores que os outros que esquecem que a vida é mais que isso, a vida é feita de experiências e cada fase da vida exige um pacote de aventuras diferente que, se não aproveitadas, escorrem pelos dedos como a areia da praia que você queria visitar e não foi.

Quando você estuda em uma faculdade, ou curso, em que os alunos competem menos, há mais tempo para ver a vida, porque você se preocupa com a sua nota e não com a do colega. Você se preocupa mais com a nota do semestre, não com a média do curso. É como as pessoas da cidade que visitei, elas era tranquilas e nada bitoladas. Você sentia a paz no ar, ao contrário da loucura do metrô de São Paulo as seis da tarde.

Sempre há os pontos fora da curva que quebram o gelo tanto do lugar calmo demais como do espaço agitado demais e são por causa dessas pessoas que conseguimos rever o real significado de felicidade e de qualidade de vida pessoal.

Boa noite, lind*s ❤

 

|a mochila|

Tenho uma amiga que diz que carrego uma escoliose na mochila.

Embora carregue o que acho necessário, dia desses consegui tirar uma lata de lixo de papel e coisas inúteis da minha mala. Então notei que estava sobrecarregando minha coluna com coisas não muito importantes.

Sei que problemas todo mundo tem, mas nem todos precisam ser carregados nas costas para lá e para cá. Podemos deixar alguns de lado, principalmente aqueles que não dependem de nós mesmos para serem solucionados. Entregar o problema na mão de alguém que você confie, pode ser um Deus, uma pessoa, um profissional, é uma boa saída para aliviar o peso.

Não penso ser ideal jogar todos os nossos problemas em todo mundo. Temos que ter a coragem de quebrar a cara até conseguir resolver alguns, ou então, saber qual deles nós vamos compartilhar. Não acredito ser uma resolução postar tudo o que ocorre na vida em redes sociais, mesmo que isso seja bastante confortante, pois, assim como tem áreas da minha mochila que não gosto que mexam, não acho interessante dar a liberdade a outros para que isso venha a ocorrer.

Mas, o que prejudica mais a gente, é o peso de todos esses problemas e preocupações. Pois, assim como ficamos meio curvados usando mochilas pesadas, os problemas que a gente carrega na nossa cabeça também mexe com a nossa postura e com a nossa aparência. Aparentamos cansados, fatigados e cabisbaixos, esquecendo de ver a vida ao nosso redor.

Fortes são aqueles que usam malas pesadas ou que tem problemas demais para resolver e conseguem andar eretos e sorrindo. Felizes são aqueles que sabem entregar os seus problemas nas mãos certas, fazer a sua parte e esperar que outros fatores minimizem o peso que nem sempre precisamos carregar.

A vida é cheia de escolhas e nem tudo que a gente acredita ser necessário realmente é.

Boa noite!

|o choro da árvore|

Tinha uma árvore na casa em que morei quando era criança. Mas, por não sei quais motivos, foram cortados todos os seus galhos e ela ficou soltando uma gosma durante muito tempo até o dia em que ela morreu. Perguntei para a minha mãe o que era aquela substância que a árvore estava liberando, e então ela me explicou:”Lu, a árvore está chorando!”.

Então, todo dia em que passava perto do tronco, eu notava se ela ainda estava chorando. E fiz isso até o dia em que ela foi retirada do quintal.

Hoje, eu entendo que aquilo não era choro, era seiva. Mas, honestamente, tanto faz… Tanto faz, porque, cada dia mais, me deparo com uma vida mais cheia de conhecimento e de competições de sapiência que não levam a lugar algum.

Claro que a área do conhecimento em que me esforço para saber mais, eu posso ter bastante propriedade para debater. Contudo, não adianta falar com alguém de outras áreas e querer mostrar o que sei de uma forma rude, usando palavras técnicas. Acredito que seria uma atitude retardada, assim como se minha mãe tivesse me explicado cientificamente que na verdade a árvore não estava chorando.

Devemos admitir que a gente não sabe tudo sobre tudo e que não fomos criados para isso também. Embora haja pessoas que saibam conversar sobre tudo um pouco, não há necessidade de se discutir tão a fundo tudo sobre tudo, porque essa situação é chata e acaba afastando a pessoa que é indagada da que fica indagando.

Aceito até hoje que a árvore estava chorando, mesmo sabendo o que estava acontecendo. Aceito que coelho bota ovo durante a páscoa. Aceito beber Coca-Cola, mesmo sabendo que faz mal. Logo, se tudo é contraditório com o que real, porque aceito ? Aceito, pois, ainda que o conhecimento esteja aí na porta, eu quero ser feliz com aquilo que a minha moral e princípios permitem.

Eu quero comer coxinha e pensar que delícia é a oportunidade de ingerir algo tão bom sem me preocupar no óleo que pode me deixar gorda. Quero me deliciar com a sombra de uma árvore sem pensar na composição dela. Quero estourar plástico bolha me deliciando ao som de cada “barulhinho”. Eu quero ser livre desse anseio do saber constante e curtir aquilo que realmente importa no momento tendo como consequência ser mais feliz comigo mesma.

E para finalizar, a árvore estava chorando.

Boa tarde!