|o (des)entendimento|

Até o primeiro ano do ensino médio, não entendia a malícia envolvida por trás da música sabão crá-crá. Sim, imaginava uma sacola de mercado com cabelos dentro! Acredite se quiser.

Nunca fui muito rápida para entender tais entrelinhas: malícia, ironia, sarcasmo. Isso é bom por um lado, porque eu não fico triste ou envergonhada (a ignorância é um benção). Mas, por outro lado, é terrível, pois sou motivo de chacota e perco um pouco a noção de como lidar com as pessoas.

Estávamos eu e uma amiga em frente ao nosso colégio. De repente sentou ao nosso lado uma garota da turma. Ela começou a reclamar sobre suas amigas, que elas eram isso, eram aquilo… Passados 15 minutos de desabafo, ela foi embora. Olhei para a cara da minha amiga e falei:”Que feio! Isso que elas são amigas!”. Minha amiga com o maior entendimento do mundo falou:”Lu, ela está nervosa, não tem nem noção do que está falando. Daqui a pouco elas voltam a se falar”.

Na hora, fiquei menor do que já sou. Parei de pensar sobre falsidade e comecei a pensar sobre como eu queria ter esse entendimento da minha amiga, para poder errar menos e parar de falar alguns preconceitos de quem não sabe ler entrelinha.

Muitas vezes, as coisas estão acontecendo ao nosso redor, mas nós só estamos vendo aquilo que nos convêm, não dando conta que nem tudo é o que vemos. Acho isso complexo, mas nada que um treino diário não possa clarear essa entrelinha em Arial 4.

Boa tarde.

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|as entrelinhas|

Eu amo as entrelinhas. Aquele dizer sem dizer nada. Aquele olhar de mortal de mãe. Aquelas frases com sentido oposto…

É como uma pessoa que não sabe mentir e o faz. Ela não precisa contar a verdade, pois está no olhar dela que algo está estranho. Ou, então, é como aquela briga de casal onde o homem diz:”se você não parar, eu vou embora.” e a mulher diz:”vai!”, mas ele sabe que ela não quer que ele vá.

As entrelinhas estão por todos os cantos. Se algo não está funcionando bem é por que tem alguma coisa que a está impedindo de funcionar como deveria. Como diz o dito popular:”tem algo por trás disso”, “tem algo por baixo do pano”. Sempre têm entrelinhas. E o que devemos fazer para notá-las?

Eu penso que para notá-las a observação é fundamental. Se você faz o que todos fazem e isto não está funcionando, por que não mudar? Você acha que as pessoas que mais inovaram no mundo pensavam quadradinho? Elas tiveram a sabedoria de olhar as entrelinhas e ver o que elas podiam mudar.  Um exemplo: Newton não descobriu a força da gravidade porque a maçã caiu na cabeça dele; ele descobriu pois teve a capacidade de analisar o que ninguém jamais tinha se atentado.

Além disso, penso que maturidade também influi. Não adianta você querer entender coisas que você ainda não tem vivência para opinar… Eu não posso falar que seria fácil falar “não” para os meus filhos se eu não tenho filhos, por exemplo.

Contudo, o mais legal de tudo isso, não é interpretar as entrelinhas, é conseguir criá-las. Não somente por serem “indiretas”, mas por você dizer algo que não está dito, ou, muitas vezes, algo que para alguém em especial terá um significado diferente. Mas seja cauteloso, professores não conhecem essa história de entrelinhas rs.

Enfim, o mundo é feito de entrelinhas, basta ter a maturidade suficiente para interpretá-las. Vamos tentar?