|a doação de sangue|

Acredito que muitos que me acompanham em rede social sabem que doou sangue há um tempo, contudo o que nunca contei é que meu sangue sai mais lentamente até a bolsa do que o de outras pessoas.

Dia desses, entrosei com um grupinho para fazer a doação. Fui a primeira a entrar na sala de coleta, mas não a primeira a sair, é claro. Um dos moços que estava no grupo, começou depois de mim e saiu antes do que eu. Surpreendi-me, mas fiquei deitadinha pensando na vida, afinal, cada corpo tem seu ritmo.

Desse fato tão mínimo, veio uma big retrospectiva do meu ano na minha cabeça.

Esse ano que, graças a Deus, está acabando, teve seus altos, baixos, médios e cinco bolas. Acredito que tenha sido um dos anos mais difíceis da minha vida. Contudo, devo admitir que eu coloquei uma intensidade nas coisas maior do que elas tinham. Eu competi com os outros ao invés de competir comigo mesma.

Entretanto, de todas as dificuldades que encarei, acredito que o saldo foi muito positivo, pois aprendi que tenho limites, e que mais importante de saber que eles existem é respeitá-los.

Eu podia ter apertado mais forte a *”hemácia gigante” para ver se saía sangue mais rápido de mim, mas não ia adiantar nada (como não adiantou para outro moço que estava com o mesmo problema que eu na doação). Respeitei meus limites.

Nesse ano, eu tive que abdicar de bastantes coisas para poder ter saúde. Tive que aceitar que muitas vezes cinco bolas vem de cinco colas, e que não preciso participar dessa sujeira para me formar um dia. Aprendi a lidar com uma doença psíquica dada em um amigo. Quase virei corretora de imóveis. Cresci em fé. Respeitei meus limites.

É frustante aceitar que o seu ritmo mental e físico não é o mesmo do que é exigido nas suas escolhas. Todavia, aceitar que você tem um corpo e saúde únicos e adequar as suas escolhas ao seu ritmo é sabedoria.

O que eu desejo para você que me segue nesse blog é um final de ano sábio e um 2017 maravilhoso, porque os dias desse ano podem ter sido uma choradeira, mas os dias que estão por vir pode ser de pura alegria (como os meus estão sendo atualmente).

Um grande beijo e obrigada pelo carinho de todos esse ano!

Ps.: doe sangue, salve vidas!

*hemácia gigante – durante a doação as enfermeiras dão um objeto para ficar apertando, nesse dia elas deram uma hemácia gigante.

|a queda|

Há uns anos, minha mãe ganhou uma bicicleta no sorteio do mercado. Nunca fiquei tão contente com o presente, já que quem usava era eu e não ela.

Durante um bom tempo, eu usei essa bicicleta para ir em todos os lugares possíveis e nos horários que me era conveniente. A vida era tão bela… E foi bela até o dia em que eu fiquei sem freio e com a corrente caindo em cada esquina.

Embora não houvesse mais condições de andar na bicicleta, eu persistia em usá-la. E isso foi até o dia em que eu fui pedalar e meu pé escorregou do pedal e eu voei da bicicleta. Sim, o machucado foi feio. E então lembrei do que um amigo falou para mim:”Luana, você está se importando muito com a situação e não está cuidando de você! Olha o seu estado.”.

Pensando um pouco na minha segurança, eu troquei de bicicleta. Pois eu me convenci de que não tinha mais jeito, eu teria que aposentar a “magrela” que quase me matou. A bike nova era zero bala, linda, perfeita…

Parecia um sonho estar pedalando em algo tão confortável. Mas, como já havia pego o jeito de desafiar o mundo em cima de duas rodas, comecei a pensar que sabia demais e comecei a me estrebuchar.

No segundo dia com a bicicleta nova, eu quase fui atropelada por um cara que passou no farol vermelho. E, uma semana depois, ou nem isso, eu fui ligeiramente atropelada.

No final de tudo isso, percebi que não havia entendido o significado da frase do meu amigo. Pois não adiantaria nada mudar o contexto das coisas e não mudar as minhas atitudes perante as mesmas.

E também notei, logo depois de cair feio e perceber que posso trabalhar como dublê, que não faz sentido eu querer coisas novas ao meu redor se o meu interior não se permitir começar tudo do zero.

Enfim, a vida é uma viagem onde a gente cai várias vezes e que depende de como a gente se levanta para definir a que lugar iremos chegar ao final do caminho.