|o cabelo|

Quando criança, eu não tinha o porquê de me importar com o meu cabelo, já que ele era  tão liso que perdia todas as tiaras, tic-tacs, xuxinhas. Quando a puberdade chegou, meu cabelo tomou uma forma indefinida, era meio liso, meio enrolado, meio complicado. Na adolêscencia, tentei dar um jeito nele, fiz progressiva, hidratação, selagem. Mas passava algum tempo e ele voltava a ficar sem forma.

Nunca fui muito vaidosa, então, acabei desistindo dele. A xuxinha virou minha melhor amiga e só soltava as madeichas em ocasiões especiais como casamentos e festas. Fazia uma chapinha aqui, uma escova ali e tudo certo.

Certo dia, fui a um retiro de jovens da igreja que frequentava e uma moça falou para eu brincar com o meu cabelo. Claro que detestei a ideia, porque, para mim, quanto mais eu mexia, menos eu gostava.

E foi, aí que entendi o que eu estava fazendo de errado com o meu cabelo: eu não aceitava a forma dele. Por isso que não fazia questão de soltá-lo, de vê-lo, de dar movimento a ele.

A partir dessa descoberta, percebi que fazia o mesmo com meu meu corpo. Eu não gostava dele, não o aceitava. Então comecei a dar movimento a ele, ir à academia, fazer exercícios físicos com alguma frequência.

E disso vieram várias outras descobertas sobre a inércia em mim mesma e sobre a necessidade de me mover no sentido de me aceitar mais e, como consequência, gostar mais do que eu sou.

“Quanto mais mexe, mais fede”, talvez essa frase faça sentido quando não temos certeza do que estamos fazendo, e, como isso é uma constante, pode feder, pois são dos riscos e das incertezas que nascem grandes ideia e pessoas.

Bom dia!

Anúncios

|a estrada|

Sempre pensei que a decisão de um casamento fosse realizada em questão de segundos, mas pessoas casadas me ensinaram que não é bem assim.

Da mesma forma que há pessoas que curtem mais a estrada do que o destino ao qual pretendem chegar, o casamento não é somente o “sim” ou o “não”. A resposta do altar é o destino.

Aprendi, nos últimos tempos, que uma estrada é algo bastante entediante se você olhar olhar somente para a mata e esquecer que o céu existe e que as nuvens trocam de posição. Ademais, notei que, durante o percurso, o asfalto varia de qualidade e há diversos buracos que podem nos surpreender.

Há também certos animais que cruzam essa estrada durante a viagem, principalmente vacas. Acontece! É só não desviar o olhar e manter o foco. Pois, quando menos se espera, ela sai de frente da passagem e a “caminhada” pode continuar.

Existem destinos que ficam a 500km de distância, 700km de distância e muitas outras metragens de distância. Mas, querido amigo(a), se você quiser, você poderia pegar o Google e descobrir um atalho bem maneiro. Somente se você quiser.

Boa noite (:

|a queda|

Há uns anos, minha mãe ganhou uma bicicleta no sorteio do mercado. Nunca fiquei tão contente com o presente, já que quem usava era eu e não ela.

Durante um bom tempo, eu usei essa bicicleta para ir em todos os lugares possíveis e nos horários que me era conveniente. A vida era tão bela… E foi bela até o dia em que eu fiquei sem freio e com a corrente caindo em cada esquina.

Embora não houvesse mais condições de andar na bicicleta, eu persistia em usá-la. E isso foi até o dia em que eu fui pedalar e meu pé escorregou do pedal e eu voei da bicicleta. Sim, o machucado foi feio. E então lembrei do que um amigo falou para mim:”Luana, você está se importando muito com a situação e não está cuidando de você! Olha o seu estado.”.

Pensando um pouco na minha segurança, eu troquei de bicicleta. Pois eu me convenci de que não tinha mais jeito, eu teria que aposentar a “magrela” que quase me matou. A bike nova era zero bala, linda, perfeita…

Parecia um sonho estar pedalando em algo tão confortável. Mas, como já havia pego o jeito de desafiar o mundo em cima de duas rodas, comecei a pensar que sabia demais e comecei a me estrebuchar.

No segundo dia com a bicicleta nova, eu quase fui atropelada por um cara que passou no farol vermelho. E, uma semana depois, ou nem isso, eu fui ligeiramente atropelada.

No final de tudo isso, percebi que não havia entendido o significado da frase do meu amigo. Pois não adiantaria nada mudar o contexto das coisas e não mudar as minhas atitudes perante as mesmas.

E também notei, logo depois de cair feio e perceber que posso trabalhar como dublê, que não faz sentido eu querer coisas novas ao meu redor se o meu interior não se permitir começar tudo do zero.

Enfim, a vida é uma viagem onde a gente cai várias vezes e que depende de como a gente se levanta para definir a que lugar iremos chegar ao final do caminho.