|o respingo|

O respingo d’água que os automóveis em alta velocidade deixam no vidro de um carro quando se está em uma estrada pode ser comparado ao suposto sucesso de terceiros que deixamos ofuscar a nossa visão.

Uma das causas de acidentes em estradas é a chuva. Há um limite na visão principalmente por causa de respingos de outros carros que estão mais velozes que nós. Tanto é que há momentos em que nem o para-brisas é suficiente para conter a quantidade de água no vidro. Então, é necessária uma redução de velocidade e, muitas vezes, usar as luzes do carro da frente como guia. Claro que não é uma situação confortável, mas, para conseguir chegar ao lugar desejado, é preciso passar por alguns “maus bocados”.

Percebo que na vida não é muito diferente. Diversas vezes, eu senti, e imagino que outras pessoas também sentiram, que outros estavam caminhando muito mais rápido na vida do que eu. Ofuscavam minha visão. Pareciam aqueles caminhões de longo comprimento andando a 200 km/h e jogando litros e litros de água na minha “cara”. Contudo, em meio a tanto desespero e em meio a vontade de andar na mesma velocidade que eles eu parei para pensar. Eu parei por um minuto e comecei a ver que eu precisava diminuir a minha velocidade se eu quisesse chegar viva ao meu objetivo. Reparei que independente deles, EU queria cumprir a minha meta.

Admito que não foi fácil ver muita gente passando na minha frente. Houve momentos em que pensei em desistir da viagem, todavia, percebi quão tonta seria ser desistisse por causa dos outros. Logo, aprendi e continuo aprendendo que, assim como no trânsito, na vida é preciso calma, sabedoria e muita paciência para conseguir chegar, e se possível inteiro, onde se quer.

Boa tarde.

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|a lombada|

Esperando a minha irmã me buscar em um shopping de São Paulo, reparei que todos os carros paravam na faixa de pedestre. Achei bastante curioso o fato, já que, na “terra da garoa”, você coloca o pé no asfalto e quase ganha uma cadeira de rodas de brinde. Entretanto, chegando mais próximo da faixa, entendi o motivo da parada dos motoristas: pintaram uma faixa em cima de uma lombada. Ótima estratégia para desacelerar pessoas tão sem tempo.

No início desse ano, conheci algumas cidades do país. Dentre elas, visitei uma tão pequena quanto charmosa chamada Cidade Gaúcha, que curiosamente não fica no Rio Grande do Sul, mas no Paraná. Acredito que esse município foi inteiramente planejado, já que suas ruas são perfeitamente iguais e o mapa da cidade é algo impressionante. Embora seja um lugar bastante calmo, lá também têm lombadas. Muitas lombadas. Ótima estratégia para acordar turistas que andam a dois por hora para conhecer a cidade (eu).

Cada uma das situações acima me faz relacionar pessoas a eventos. Há pessoas que são tão acomodadas com as coisas do dia a dia que somente um tapa na cara para tirar esses indivíduos da zona de conforto e fazê-los acordar para a vida. Em contrapartida, existe outro grupo seleto seres humanos que querem tudo para ontem, são ansiosas, não se importam com a hora do Brasil e comem o bolo cru.

Para ambos os casos, há lombadas. Mas penso elas não devem ser tratadas como algo ruim só porque atrapalham a velocidade do caminhar. Elas existem para que as pessoas tenham maior atenção durante uma vida tão automática que é a que vivemos hoje em dia. Existem para que lembremos que há fatores externos que podem mudar o que somos e como agimos. Exemplos de lombadas são: uma notícia inesperada, um almoço que deu errado, um convite de última hora, um recado de um amigo…

Em suma, se surgir uma lombada na sua frente, acorde do seu desespero ou da sua malemolência, porque a vida é muito mais do que seguir os ponteiros do seu relógio ou olhar para o seu próprio umbigo.

Boa tarde!

|a queda|

Há uns anos, minha mãe ganhou uma bicicleta no sorteio do mercado. Nunca fiquei tão contente com o presente, já que quem usava era eu e não ela.

Durante um bom tempo, eu usei essa bicicleta para ir em todos os lugares possíveis e nos horários que me era conveniente. A vida era tão bela… E foi bela até o dia em que eu fiquei sem freio e com a corrente caindo em cada esquina.

Embora não houvesse mais condições de andar na bicicleta, eu persistia em usá-la. E isso foi até o dia em que eu fui pedalar e meu pé escorregou do pedal e eu voei da bicicleta. Sim, o machucado foi feio. E então lembrei do que um amigo falou para mim:”Luana, você está se importando muito com a situação e não está cuidando de você! Olha o seu estado.”.

Pensando um pouco na minha segurança, eu troquei de bicicleta. Pois eu me convenci de que não tinha mais jeito, eu teria que aposentar a “magrela” que quase me matou. A bike nova era zero bala, linda, perfeita…

Parecia um sonho estar pedalando em algo tão confortável. Mas, como já havia pego o jeito de desafiar o mundo em cima de duas rodas, comecei a pensar que sabia demais e comecei a me estrebuchar.

No segundo dia com a bicicleta nova, eu quase fui atropelada por um cara que passou no farol vermelho. E, uma semana depois, ou nem isso, eu fui ligeiramente atropelada.

No final de tudo isso, percebi que não havia entendido o significado da frase do meu amigo. Pois não adiantaria nada mudar o contexto das coisas e não mudar as minhas atitudes perante as mesmas.

E também notei, logo depois de cair feio e perceber que posso trabalhar como dublê, que não faz sentido eu querer coisas novas ao meu redor se o meu interior não se permitir começar tudo do zero.

Enfim, a vida é uma viagem onde a gente cai várias vezes e que depende de como a gente se levanta para definir a que lugar iremos chegar ao final do caminho.

|a bicicleta|

Esses dias estava lembrando de quando ganhei a minha bicicleta.

Nos primeiros dias que eu estava com ela, eu era muito cautelosa. Eu não andava com ela na calçada, eu não atravessava em cima dela na faixa de segurança, eu era uma santa. Levar alguém no cano? Jamais! Até que, um dia, eu comecei a aprender que eu podia ter umas atitudes diferentes.

Comecei a tirar fina dos carros, ultrapassava todo mundo na ciclovia, até gritar para bandido não roubá-la, eu já gritei!… Comecei achar-me a dona dos meus passos em cima da minha “super” BMW vermelha. Acabei conhecendo até pessoas novas por dar carona no cano da bicicleta rs.

Cair? Nossa! Caí diversas vezes. E, além disso, já levei gente junto comigo ao chão.

Ela conheceu diversos estacionamentos, diversas calçadas, faz uma visita por São Paulo, ciclovias vicentinas e até à praia ela chegou a ir. Ela rodou bastante comigo. Ela sempre foi a primeira opção em dias de sol, de pressa, de descanso…

Mas chega um dia que as coisas se desgastam, a corrente cai, a graxa seca, o garfo entorta, o banco solta… E não é a mesma coisa como se fosse no início. A gente até tenta arrumar, mas sabe que nunca voltará a ser igual.

Hoje em dia, a minha BIZ vermelha está meio detonada, mas eu nunca me esquecerei de todas as aventuras que eu tive com a minha primeira bicicleta de verdade. Ainda mais por ela me apresentado uma amiga incrível: a chave inglesa (melhor do que ficar na mão, não é mesmo?! ).

Às vezes, penso que se eu tivesse cuidado melhor dela e tals, ela poderia estar em melhores condições. Mas, ao mesmo tempo, eu não me arrependo de todos os descuidos. Pois, hoje, eu sei que, quando a bicicleta nova chegar, eu tomarei atitudes melhores em ‘n’ aspectos.

E você, tem precisado rever alguns conceitos? Nunca é tarde para aprender coisas novas (: