|o clipes|

Certa vez, peguei um clipes que estava no meio das coisas da minha irmã e comecei a usar. Mas, devo explicar que não era um simples clipes. Ele veio de Itu, só pode, já que era enorme.

Um arrependimento muito grande me bateu quando usei esse “querido” clipes, pois ele marcou todas as folhas que estavam presas de tal maneira que viraram folhas de rascunho.

Se considerarmos que nós somos as folhas e o clipes é o motivo, podemos dizer que nos unimos a diferentes pessoas por causa de diferentes motivos. Então, o motivo de nos unirmos às outras pessoas modificam o que somos.

Por vezes, tomamos o motivo pelo qual nos juntamos aos outros tão grandioso que nos machucamos. Por exemplo, quando nos unimos aos outros por causa de um problema e, com o tempo, você ainda acredita na relevância dele, mas as outras pessoa não, então você se machuca.

Já em outros momentos, acreditamos que um motivo mínimo é o suficiente para nos unir a muitas outras pessoas, e acabamos nos perdendo. Como é o caso de uma passeata que não dá certo pela pauta não ser tão promissora.

Contudo, felizmente há o caso em que o clipes é do tamanho certo e deixa a marca certa nas pessoas. Isso é o que eu chamo de amizade, já que prende mas não aprisiona, já que marca mas não machuca.

Você tem sido preso pelos clipes certos?

Boa tarde!

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|a doação de sangue|

Acredito que muitos que me acompanham em rede social sabem que doou sangue há um tempo, contudo o que nunca contei é que meu sangue sai mais lentamente até a bolsa do que o de outras pessoas.

Dia desses, entrosei com um grupinho para fazer a doação. Fui a primeira a entrar na sala de coleta, mas não a primeira a sair, é claro. Um dos moços que estava no grupo, começou depois de mim e saiu antes do que eu. Surpreendi-me, mas fiquei deitadinha pensando na vida, afinal, cada corpo tem seu ritmo.

Desse fato tão mínimo, veio uma big retrospectiva do meu ano na minha cabeça.

Esse ano que, graças a Deus, está acabando, teve seus altos, baixos, médios e cinco bolas. Acredito que tenha sido um dos anos mais difíceis da minha vida. Contudo, devo admitir que eu coloquei uma intensidade nas coisas maior do que elas tinham. Eu competi com os outros ao invés de competir comigo mesma.

Entretanto, de todas as dificuldades que encarei, acredito que o saldo foi muito positivo, pois aprendi que tenho limites, e que mais importante de saber que eles existem é respeitá-los.

Eu podia ter apertado mais forte a *”hemácia gigante” para ver se saía sangue mais rápido de mim, mas não ia adiantar nada (como não adiantou para outro moço que estava com o mesmo problema que eu na doação). Respeitei meus limites.

Nesse ano, eu tive que abdicar de bastantes coisas para poder ter saúde. Tive que aceitar que muitas vezes cinco bolas vem de cinco colas, e que não preciso participar dessa sujeira para me formar um dia. Aprendi a lidar com uma doença psíquica dada em um amigo. Quase virei corretora de imóveis. Cresci em fé. Respeitei meus limites.

É frustante aceitar que o seu ritmo mental e físico não é o mesmo do que é exigido nas suas escolhas. Todavia, aceitar que você tem um corpo e saúde únicos e adequar as suas escolhas ao seu ritmo é sabedoria.

O que eu desejo para você que me segue nesse blog é um final de ano sábio e um 2017 maravilhoso, porque os dias desse ano podem ter sido uma choradeira, mas os dias que estão por vir pode ser de pura alegria (como os meus estão sendo atualmente).

Um grande beijo e obrigada pelo carinho de todos esse ano!

Ps.: doe sangue, salve vidas!

*hemácia gigante – durante a doação as enfermeiras dão um objeto para ficar apertando, nesse dia elas deram uma hemácia gigante.

|o brigadeiro|

Hoje, cometerei a ousadia de usar um brigadeiro para falar sobre amor.

Quando falam “brigadeiro”, imagino um doce redondo, preto, com granulado dentro de uma forminha de papel. Mesmo que 90% dos brigadeiros que já comi fossem de colher, uns muito moles, outros muito duros, alguns com uns empelotados de quase queimados. Ou seja, eles tinham um aspecto próximo a um cocô, aceitemos, essa é a realidade!

Contudo, mesmo o brigadeiro tendo a textura e cor de fezes, ele não deixa de ser brigadeiro e de dar água na boca das pessoas. Sim, brigadeiro é bom! Estando no formato que for: colher, copo, bolinha com granulado. Ele é bom. E, por quê? Porque a base se seus ingredientes é a mesma o que muda é o preparo.

Primeiro vem a paixão, depois, o amor. Uma escolha racional. Escolhemos amar.

Gostaria que o amor fosse igual ao gosto por brigadeiro. O amor muda, amadurece, mas continua sendo amor. As pessoas mudam fisicamente, mas continuam sendo pessoas. Tento entender a complexidade que é amar uma pessoa quando esta perde um braço, uma perna, um movimento.

Seria lindo se entendêssemos que escolher amar alguém, envolve amar o que a pessoa genuinamente é, sabendo que ela pode engordar, emagrecer, sofrer um acidente. Amor de aparência é roubada, porque as pessoas mudam fisicamente e com isso este amor muda e tudo pode acabar. Amar a combinação leite condensado + manteiga + achocolatado, independente do resultado final, é lindo, é puro, é eterno.

O amor é doce quando é Amor.

Beijos 🙂

|a pálpebra|

Uma greve é um período que paro para piscar.

No ensino fundamental aprendi sobre músculos e movimentos que nosso corpo executa sem pedirmos. O coração bate, o estômago faz digestão. Aprendi também sobre movimentos que são involuntários, mas que podemos ter controle por um período de tempo: respirar, piscar… E assim vai.

A rotina da faculdade é algo automático. Despertador toca. Mais cinco minutinhos. Engole um café, é preciso cafeína. Quando dá, come um pão. Chega na aula. Ah! Não! Se soubesse que era aula de revisão, nem vinha. Nossa, esse professor está usando a mesma camiseta da aula passada? Por quê ele não muda o tom da voz? To ficando com sono. Passou só 40 minutos de aula? Quero ir embora. Ufa! Acabou.

E do nada alguém fala para você piscar: “sua faculdade está de greve”.

Despertador toca. Mais cinco minutinhos. Será que tem aula? Engole um café, é preciso cafeína. Quando dá, come um pão. Será que o cronograma continua o mesmo? Chega na aula. Puts! Piquete. Ah! Não! Se soubesse dormiria mais um pouco. Nossa, será que a data da prova é a mesma? Quando é a data da assembléia? Por quê ninguém ouve o que temos a dizer? Será que sou a favor ou contra tudo isso? “Por contraste a greve continua”. Quero ir embora. Ufa! Acabou.

Nesse período você nota que estava em uma rotina. Você repara que as coisas não eram tão bonitas, mas, sim, que você estava alienado em suas regras e horários. Pensar em piscar só existe quando alguém te fala sobre piscar, ou quando, por algum motivo você pensa nisso. E então, pisca. Mas pisca diferente, pensa diferente, olha as coisas de forma diferente. Então, você se distrai, faz outra coisa, e volta a piscar automaticamente.

Esse breque em algo tão simples é o que te permite ver diferentes pontos de vista em uma coisa tão corriqueira. Greve não é bom, mas é necessário. Sair do automático não é confortável para ninguém, mas é necessário. Saia da caixa e pisque um pouco.

Beijos.

|a roupa|

Ter um armário cheio de roupas é algo normal quando não se é um mendigo. Ter somente a roupa do corpo é algo comum quando se é um morador de rua.

Não ter um armário cheio de roupas, para pessoas que têm um colchão decente, não é algo que cause felicidade. Ganhar, de vez quando, alguma vestimenta é  causa de alegria para um mendigo.

Creio que quase todo mundo quer estabilidade na vida. Esperam ter uma vida sem muita pressão mental. Sem muitos altos e baixos emocionais. Sem muita saudade. Todo mundo espera ter um armário cheio de opções de roupas para vestir.

Mas, considerando a vida como algo inconstante, diversos acontecimentos nos obrigam a sentir-se somente com a roupa do corpo. Sem chão. Sem escolha. Sem opção como um mendigo que espera pela doação de um casaco no inverno.

Então, passamos a esperar por uma blusa de frio vinda dos céus para que esse incômodo físico e mental passe e possamos ficar alegres com algo que para outros é tão comum de se ter: roupas.

Estou otimista de receber um casaco em breve. Meados da semana que vem. E então, darei valor à simples lã que me esquentará. Valorizarei o presente que eu consegui há “um mês” mesmo ele tendo que sempre ser emprestado a outras pessoas que pecisam dele.

Enfim, quando não se tem nada o pouco é muito e o muito é quase tudo.

Ps.: doe um agasalho nesse inverno.

Boa noite!

|o bombom|

De bombom em bombom vira-se uma bola.

Um amigo liga desesperado e chorando porque sua mãe comeu a sua caixa de bombom que estava guardada no armário. Uma amiga, não sabendo como reagir, compra um punhado de bombons para ver se o garoto se acalma. Com a raiva nula, a situação de estresse melhora e o rapaz constata que ninguém havia comido os doces; eles estavam dispostos em outro canto da cozinha. Descobre-se que o homem não chorou por causa do bombom.

Se alguém chora por coisas consideradas “pequenas”, ela é considerada fraca, criança. Todavia, nunca entendi qual é a unidade de medida com que se mede os problemas. Algumas pessoas usam como parâmetro a sua própria experiência de vida – traumas e desilusões – e outras o seu julgamento idiota sobre o assunto. Mas o que vale ressaltar é que ninguém tem o direito de avaliar outras pessoas quando estas estão fora de si porque elas agem pelo seu instinto e não pelo que é conveniente para a sua idade.

Quando uma criança se machuca e, chorando, tenta contar o que aconteceu para alguém, ninguém entende nada. É preciso que seu estado emocional mude e que a pessoa que quer entender o que ocorreu tenha paciência. Logo, se há um problema, pode-se até agir como uma criança descabeçada no início, mas, depois, é bom que se tome uma atitude mais madura para se ache uma modo – inteligente ou não – de resolver o causa do desespero.

Após se ter agido como uma criança e como um jovem, vem o momento em que a pessoa já é “grande” o bastante para resolver ou ignorar o problema que lhe aflige. Assim, pode-se dizer que o processo de amadurecimento só acontece quando se está com sabedoria o suficiente para sanar o atual problema e, como consequência, receber um próximo transtorno.

No final das contas, descobre-se que o foco de todo o problema não era a mãe do garoto ter comido os bombons, mas, sim, eram: falta de dinheiro, perda de um parente, filho repetindo de ano, sogra se metendo no casamento… Ou seja, às vezes, se julga o que é visível e não o que é real. Ademais, quem segura muitos problemas e depois chora para aliviar é, somente, um jovem que entrou em seu casulo de criança para se transformar em um Homem.

Boa noite!

|a amora|

Onde eu morava, havia um pé de amora.

A primeira vez que vi uma amora, ela estava verde. Ela parecia um bicho estranho por ser todo peludinho. E, por mais que todo mundo falasse que amora era bom, eu tinha um pé atrás. Como que uma fruta tão estranha e pequenininha poderia ser gostosa? Até que experimentei… A partir daí, eu me apaixonei perdidamente por essa fruta tão diferente e singular. Gostei tanto que cheguei ao ponto de querer dar esse nome para minha filha (eu já mudei de ideia, eu acho…).

Muitas vezes, os dias são como um limão: azedos. Eles não passam e a gente é ácido com todo mundo. Dias em que se acontece alguma eventualidade mínima, já é o bastante para espremermos os nossos sentimentos e cair uma chuva pelo olho. Traduzindo, há dias em que tudo dá errado.

Contudo, há dias que são como uma amora: diferentes. Eles têm tudo para serem ruins, mas se tivermos coragem de enfrentá-los e experimentar novas atitudes, novos “roles” e conhecer gente nova, ele vira algo memorável. E, então, aquele dia que poderia demorar uma eternidade para passar, fica pequeno como uma amora, mas com um sabor distinto do habitual.

Enfim, se você não gosta de amora, mude a fruta e releia o texto para ele fazer um pouco de sentido. 🙂