|o (des)entendimento|

Até o primeiro ano do ensino médio, não entendia a malícia envolvida por trás da música sabão crá-crá. Sim, imaginava uma sacola de mercado com cabelos dentro! Acredite se quiser.

Nunca fui muito rápida para entender tais entrelinhas: malícia, ironia, sarcasmo. Isso é bom por um lado, porque eu não fico triste ou envergonhada (a ignorância é um benção). Mas, por outro lado, é terrível, pois sou motivo de chacota e perco um pouco a noção de como lidar com as pessoas.

Estávamos eu e uma amiga em frente ao nosso colégio. De repente sentou ao nosso lado uma garota da turma. Ela começou a reclamar sobre suas amigas, que elas eram isso, eram aquilo… Passados 15 minutos de desabafo, ela foi embora. Olhei para a cara da minha amiga e falei:”Que feio! Isso que elas são amigas!”. Minha amiga com o maior entendimento do mundo falou:”Lu, ela está nervosa, não tem nem noção do que está falando. Daqui a pouco elas voltam a se falar”.

Na hora, fiquei menor do que já sou. Parei de pensar sobre falsidade e comecei a pensar sobre como eu queria ter esse entendimento da minha amiga, para poder errar menos e parar de falar alguns preconceitos de quem não sabe ler entrelinha.

Muitas vezes, as coisas estão acontecendo ao nosso redor, mas nós só estamos vendo aquilo que nos convêm, não dando conta que nem tudo é o que vemos. Acho isso complexo, mas nada que um treino diário não possa clarear essa entrelinha em Arial 4.

Boa tarde.

|o brigadeiro|

Hoje, cometerei a ousadia de usar um brigadeiro para falar sobre amor.

Quando falam “brigadeiro”, imagino um doce redondo, preto, com granulado dentro de uma forminha de papel. Mesmo que 90% dos brigadeiros que já comi fossem de colher, uns muito moles, outros muito duros, alguns com uns empelotados de quase queimados. Ou seja, eles tinham um aspecto próximo a um cocô, aceitemos, essa é a realidade!

Contudo, mesmo o brigadeiro tendo a textura e cor de fezes, ele não deixa de ser brigadeiro e de dar água na boca das pessoas. Sim, brigadeiro é bom! Estando no formato que for: colher, copo, bolinha com granulado. Ele é bom. E, por quê? Porque a base se seus ingredientes é a mesma o que muda é o preparo.

Primeiro vem a paixão, depois, o amor. Uma escolha racional. Escolhemos amar.

Gostaria que o amor fosse igual ao gosto por brigadeiro. O amor muda, amadurece, mas continua sendo amor. As pessoas mudam fisicamente, mas continuam sendo pessoas. Tento entender a complexidade que é amar uma pessoa quando esta perde um braço, uma perna, um movimento.

Seria lindo se entendêssemos que escolher amar alguém, envolve amar o que a pessoa genuinamente é, sabendo que ela pode engordar, emagrecer, sofrer um acidente. Amor de aparência é roubada, porque as pessoas mudam fisicamente e com isso este amor muda e tudo pode acabar. Amar a combinação leite condensado + manteiga + achocolatado, independente do resultado final, é lindo, é puro, é eterno.

O amor é doce quando é Amor.

Beijos 🙂

|o leque|

Quem já pegou um leque e tentou abrir igual a Nany People, sabe o que é ser feliz.

O leque é um objeto bastante interessante e quem o projetou é um anjo. Pois, ele é portátil, prático, bonito, útil… Tão útil que até construtoras começaram a fazer leques (abanadores, melhor dizendo) divulgando o seu imóvel.

Mas falemos sobre um tipo específico de leque: aquele que é formado por vários “pauzinhos” e que geralmente tem um tecido bastante bonito. Esse leque se fechado, é só um pedaço de madeira que lembra um leque, mas não possui função.

Saudade é como um leque. E a quantidade de calor é proporcional a quantidade de tempo (não, isso não é física!).

Com isso, quando a quantidade de calor no ambiente não faz as pessoas suarem, não há a necessidade de usar o leque. Ou seja, o leque existe, mas ele está guardado na bolsa. A saudade existe, mas não há um vazio tão enorme no peito. No entanto, quando o calor é muito grande, a necessidade de usar o leque é proporcional, então, o leque torna-se aparente para os outros. O que significa que quando o tempo sem ver alguém é muito extenso, liberamos essa saudade de alguma maneira que a alivie.

Alguns choram. Outros compõe. Tem aqueles que assistem séries. Os que escrevem. Dentre outros. As pessoas, por mais que não percebam demonstram essa saudade de maneira a expô-la para si, ou para todos. Mas a expõem, porque isso faz a saudade doer menos. As pessoas só param de se abanar quando a mão começa a doer e a fadiga é maior que o calor.

O leque só fecha e é guardado quando a distância é zero, ou, quando tentamos nos acostumar a temperatura mais alta esperando que ela volte a ficar normal.

Boa noite!

|o conta-gotas|

Na infância, eu tinha um amigo que se acontecia qualquer coisa que ele não queria, revoltava-se com o mundo. Parecia que, para ele estar bem, Júpiter teria que estar alinhado com Marte e a Lua estar cheia no mesmo dia. Era simplesmente muito chato.

Convivendo melhor, descobri que não era bem assim…

A primeira vez em que vi alguém tomando soro na veia, eu não entendi o porquê do soro ficar pingando e não ir em fluxo contínuo. A primeira em vez em que tomei soro na veia, as gotinhas caíram super rápido e eu passei mal, então, eu entendi perfeitamente o motivo da existência daquele dosador da velocidade das gotas.

Muitas vezes, não somos pacientes como deveríamos com as pessoas. Há momentos, em que parece que os problemas dos outros é tão sem motivo que acabamos ignorando o conta-gotas. Acabamos esquecendo que o presente é uma junção de gotas do passado. Tudo isso porque somos egoístas.

Não que esse egoísmo seja intencional. A vida está cada vez mais corrida que não nos interessamos mais pelo próximo e nos problemas dele. O que vale é o aqui e o agora. E creio que isso seja algo bastante complicado, mas reversível.

Se meu amigo parecia revoltado porque riscaram o braço dele, essa era a última gota da bolsa de soro. Ele ficava naquele estado porque somado a esse fato, sua mãe havia quebrado seu brinquedo, sua avó estava doente, sua irmã havia mudado de cidade…

No geral, as pessoas são assim. Somos uma bolsa de soro que é cheia por um pingos. Quando ela enche além de sua capacidade, ela estoura e respinga soro em quem estiver perto. Basta as outras pessoas entenderem isso e nós entendermos quem está passando por essa situação.

Paciência nem é dom, é prática.

Boa noite!

|o diamante|

A arte de lecionar é algo incrível.

Ser professor não deve ser uma tarefa fácil. Pois, antes de você poder ensinar algo a alguém, é preciso ter muita sabedoria e metodologia para passar a informação.

Sempre prezei por bons professores e sempre xinguei professores que liam a “colinha” ou a apostila para dar aula. Penso que se alguém quer fazer algo, independente do que seja, deve ser bom no que faz. Sendo assim, dá raiva quando há pessoas com potencial em determinada área, mas prefere fazer “algo rentável”. Ok! Ganhe dinheiro e gaste-o com remédios para depressão…

Comparo o trabalho de um professor com o trabalho de um lapidador de diamante. Faço essa ligação, pois da mesma forma que um diamante precisa de outro para ser lapidado, nós, como futuros responsáveis pelo comando da sociedade, precisamos de bons professores (familiares, professores, amigos e outros) que nos ensinem a entrar no contexto social.

Só há uma coisa ruim nessa história. Da mesma forma que um lapidador de diamante não fica com a sua obra de arte, os professores também não ficam com os seus alunos pois estes ganham forma e são comprados pelo mundo para serem mais um objeto, número, ou seja lá o que for, que produz dinheiro e movimenta a economia.

Logo, não adianta ficar triste se você perdeu o diamante que você lapidou, porque, pode ter certeza, que o brilho que ele reflete ao seu atual “dono” foi você quem deu para ele.

|a amora|

Onde eu morava, havia um pé de amora.

A primeira vez que vi uma amora, ela estava verde. Ela parecia um bicho estranho por ser todo peludinho. E, por mais que todo mundo falasse que amora era bom, eu tinha um pé atrás. Como que uma fruta tão estranha e pequenininha poderia ser gostosa? Até que experimentei… A partir daí, eu me apaixonei perdidamente por essa fruta tão diferente e singular. Gostei tanto que cheguei ao ponto de querer dar esse nome para minha filha (eu já mudei de ideia, eu acho…).

Muitas vezes, os dias são como um limão: azedos. Eles não passam e a gente é ácido com todo mundo. Dias em que se acontece alguma eventualidade mínima, já é o bastante para espremermos os nossos sentimentos e cair uma chuva pelo olho. Traduzindo, há dias em que tudo dá errado.

Contudo, há dias que são como uma amora: diferentes. Eles têm tudo para serem ruins, mas se tivermos coragem de enfrentá-los e experimentar novas atitudes, novos “roles” e conhecer gente nova, ele vira algo memorável. E, então, aquele dia que poderia demorar uma eternidade para passar, fica pequeno como uma amora, mas com um sabor distinto do habitual.

Enfim, se você não gosta de amora, mude a fruta e releia o texto para ele fazer um pouco de sentido. 🙂

|a queda|

Há uns anos, minha mãe ganhou uma bicicleta no sorteio do mercado. Nunca fiquei tão contente com o presente, já que quem usava era eu e não ela.

Durante um bom tempo, eu usei essa bicicleta para ir em todos os lugares possíveis e nos horários que me era conveniente. A vida era tão bela… E foi bela até o dia em que eu fiquei sem freio e com a corrente caindo em cada esquina.

Embora não houvesse mais condições de andar na bicicleta, eu persistia em usá-la. E isso foi até o dia em que eu fui pedalar e meu pé escorregou do pedal e eu voei da bicicleta. Sim, o machucado foi feio. E então lembrei do que um amigo falou para mim:”Luana, você está se importando muito com a situação e não está cuidando de você! Olha o seu estado.”.

Pensando um pouco na minha segurança, eu troquei de bicicleta. Pois eu me convenci de que não tinha mais jeito, eu teria que aposentar a “magrela” que quase me matou. A bike nova era zero bala, linda, perfeita…

Parecia um sonho estar pedalando em algo tão confortável. Mas, como já havia pego o jeito de desafiar o mundo em cima de duas rodas, comecei a pensar que sabia demais e comecei a me estrebuchar.

No segundo dia com a bicicleta nova, eu quase fui atropelada por um cara que passou no farol vermelho. E, uma semana depois, ou nem isso, eu fui ligeiramente atropelada.

No final de tudo isso, percebi que não havia entendido o significado da frase do meu amigo. Pois não adiantaria nada mudar o contexto das coisas e não mudar as minhas atitudes perante as mesmas.

E também notei, logo depois de cair feio e perceber que posso trabalhar como dublê, que não faz sentido eu querer coisas novas ao meu redor se o meu interior não se permitir começar tudo do zero.

Enfim, a vida é uma viagem onde a gente cai várias vezes e que depende de como a gente se levanta para definir a que lugar iremos chegar ao final do caminho.