|o arroz e feijão|

O restaurante universitário, ou RU, não é o lugar favorito de muita gente, mas é lá que muitas pessoas vão todos os dias para salvarem seu pequeno orçamento universitário.

Arroz, feijão e carne. Arroz, feijão e kibe. Arroz, feijão e nuggets. Arroz, feijão e frango fimose. Arroz, feijão e… Uma rotina chamada arroz e feijão. Uma rotina chamada provas. Uma rotina chamada estudos. Uma rotina chamada faculdade.

Todo dia o mesmo gosto de arroz e feijão. Acordar, engolir um café por ter dormido uns cinco minutos a mais, ir para a faculdade, bandejar, tirar uma soneca, voltar para casa, estudar, bandejar, estudar, dormir. Arroz e feijão.

Minha rotina é tão regrada que quando me chamam para comer uma coxinha no bar que fica subindo o morro, eu morro de emoção. Quando tem pudim com gosto pseudo-baunilha-sem-gosto-de-baunilha no “bandeco”, eu abro um sorriso tão largo que você não imagina.

Presa pelas garras da rotina, essa sou eu nesse período. Mas… Em meio a tanto pessimismo do arroz e feijão eu consigo valorizar qualquer brecha, qualquer festa, qualquer piada que me faz mais feliz e me livra dessa fase tão penosa.

O vestibular me trouxe essa rotina. Mas, também, me trouxe um mundo tão interessante de se conhecer, pessoas tão legais, novos sonhos, amadurecimento. E são nesses momentos em que vejo além do ridículo sentimento de zerar uma prova, que eu degusto uma suculenta picanha.

Quem quer, consegue olhar além do que tem a sua frente.

Boa tarde!

Ps.: O pudim do “bandeco” me faz alguém melhor.

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|o tombo|

Vendo a linha do tempo do Facebook vi uma notícia sobre o tombo que o MC Gui tomou em uma de suas apresentações. Não contente somente com palavras, fui assistir o vídeo da queda. O acidente foi feio.

Parece óbvio que quanto mais ousada é a escolha, maior é a chance de dar errado.

Contudo, as pessoas que mais inovaram no mundo fizeram escolhas diferentes do comum. Saíram do padrão e mostraram algo novo à população. Mas, por pensarem diferente, muitas foram queimadas em fornalhas ou foram guilhotinadas. Isso porque o salto era alto demais para o pensamento imutável da época.

Creio que todos aqueles que tentam “sair da caixa” para mostrar aos outros coisas novas, tem o objetivo de marcar vidas com suas descobertas e demonstrações. Talvez seja para inflar o próprio ego ou para mudar o mundo. Mas, independente de qual o objetivo final do idealizador, a chance das coisas darem errado é grande.

E se der errado? Tente novamente! E se não der para tentar de novo? Passe o conhecimento para frente por meio do próximo e, dessa meneira, continue cooperando com o nascimento de sensações em outras pessoas.

Enfim, o MC Gui passa bem.

Boa noite!

|o museu|

Na primeira vez que fui ao museu, estava mais perdida que cachorro cego em tiroteio. Sorte a minha foi colocar o dedo em uma tela e, instantaneamente, “brotar” uma moça simpática dizendo: “senhora, não é permitido ultrapassar a linha amarela no chão e não pode tirar foto das obras, tudo bem?!”.

Após notar que havia uma faixa amarela no chão, comecei a me perguntar o porquê de tanta exigência. “Por que não pode tocar?”, “Por que não pode tirar foto?”. Fui tentar entender e notei o óbvio: eu ajudaria a desgastar a obra com essas atitudes.

Por algum tempo, eu viajei para conhecer diversas famílias. E era estranho que, toda vez que eu ia embora de uma casa, eu checava minhas coisas para ver se eu não havia esquecido algo, entretanto, mesmo após me revistar, parecia que estava deixando algum pertence para trás.

Passado uns dias nessa rotina de conhecer vidas, manias, histórias e casas, eu entendi o que estava se passando comigo.

Constatei, depois de muito pensar, que as pessoas as quais visitei estavam deixando um pedacinho delas comigo. Mas, que, ao mesmo tempo, eu estava deixando um pedaço do que eu sou com elas.

Independente da parte de mim que dei a elas, esse vazio incomodava e me fazia querer voltar para aqueles lares. Esse vazio eu nomeei de saudade.

Assim como um quadro, se tocado muitas vezes, se modifica, eu estava nesse mesmo processo de mudança. As pessoas que conheci, assim como suas realidades, causaram um desgaste em mim. Elas desgastaram meus preconceitos, minhas teimosias e outras diversas coisas.

No final de tudo eu percebi que todo dia sofre-se um desgastee e que todo dia é um dia a menos. Mas, que, por causa disso, todo dia é dia de ser melhor como pessoa por causa dos espaços vazios que criamos e que preenchemos com pedaços dos outros.

A vida é uma eterna saudade.

Boa noite!

|o gabarito|

Quem já prestou vestibular sabe bem como é preencher um gabarito.

Uma prova de vestibular possui, geralmente, umas milhares questões, já que as 90 iniciais se reproduzem por meiose no decorrer de cinco horas. Aí, depois de resolvidas, ou chutadas, as benditas, chega a tremida hora de passar tudo para o gabarito.

No momento de preencher os círculos da folha do papel “pessoal, intransferível e insubstituível”, começa o primeiro desespero: o gabarito está homogêneo. Coisas como E E E E começam a aparecer, e isso não é visto com bons olhos. Como que uma alternativa se repete quatro vezes seguidas se há outras além desta?

Nesse momento de repetição, o candidato desenvolve uma doença conhecida como VDMA vontade de morrer (Vontade de Mudar de Alternativa). O sintoma é alterar a resposta que ele demorou 15 minutos para escolher anteriormente e o tratamento é a autoconfiança.

Outro problema que um vestibulando desenvolve durante o teste é a falta de direção. Isso é exposto em dois momentos:
1 – Quando ele troca a alternativa no gabarito e, ou acaba pulando questão, ou dá duas respostas para uma pergunta.
2 – Quando ele sai da prova e não sabe onde está de tão cruel que foi o hadouken que ele acabou de receber.

Após todo o stress, ocorre aquela hora em que até ateu segura na mão de Deus, entrega a folha de respostas e torce tirar a nota suficiente para passar no curso que deseja.

Infelizmente, a vida não é muito diferente desse porre que é o vestibular. Todos os dias há diversos problemas para resolver. O tempo de resolução de cada questão depende de quão preparado se está. Além disso, muitas vezes, assumi-se a mesma postura, E E E E, para vários problemas diferentes. Contudo, o que considero mais importante é o renovo da postura de uma pessoa perante aquele pensamento:”Poxa! Eu devia ter feito isso, mas não o fiz”.

Concluindo, a vida é um teste. Logo, é normal a troca de alternativa (quem nunca apagou um texto no WhatsApp e enviou outra coisa que atire a primeira pedra…) e isso não faz um indivíduo ser mais ou menos idiota. Porque, da mesma forma que ninguém gabarita um vestibular, não nascemos para sermos perfeitos.

Boa noite!

|o confete colorido|

Dia desses, fui comprar granulado colorido. Quando cheguei a loja, vi que só tinha granulado separado por cores, logo, tive que comprar uns 50g de cada cor. Chegando em casa, peguei todos os saquinhos e despejei um por um dentro de um pote de vidro, traduzindo, fiz um degradê de cores de granulado… Quase me senti um aqueles “carinhas” que fazem desenho em areia, não.

Depois de colocar todas as cores no pote, eu fiquei com dó de misturar tudo porque tava tão bonito com as cores separadinhas rs. Enfim, peguei o pote, com dor no coração, e agitei para misturar as cores. Fiz isso uma vez, não ficou bem misturado. Fiz duas, ainda assim estava meio em camadas. Traduzindo, parti para a ignorância e comecei a chacoalhar loucamente o pote. Pronto! Finalmente eu tinha conseguido misturar tudo. Mas o que mais me chamou a atenção foi que, ainda sim, o pote estava bonito.

Comparando esse fato bobo com o relacionamento de um casal, eu poderia dizer que há muitas semelhanças.  Primeiramente, porque as pessoas, antes de entrarem em um relacionamento, estão solteiras (o que é totalmente óbvio). Então, elas escolhem alguém com o qual elas se dão bem, tem afinidade, coisas em comum (uma banda, um hobbie, um estilo, etc.). Depois de acharem que se dão bem o suficiente elas começam o desafio da mistura…

O desafio da mistura é a inserção de um no mundo do outro. É o conhecer de amigos, de ritmo de vida, de problemas, de familiares, ou seja, é simplesmente aprender a compartilhar a vida de um com o outro. Mas ao mesmo tempo em que um se insere na vida do outro, as pessoas não deixam de ser elas mesmas, só aprendem a se adaptar com novas circunstâncias ao redor.

A única coisa é que para essa mistura ocorrer, é preciso de tempo e paciência. Da mesma forma que não dá para misturar as cores do granulado de uma vez só, não é possível você aprender a lidar com as diferenças ou conhecer uma pessoa do dia para noite. É preciso paciência e amor, para não se tornar uma relação ignorante, mas, sim, algo que dê um resultado bonito para ambos os lados.

O que eu considero mais legal de tudo é que, quando estamos solteiros, nós somos bonitos, mas, quando estamos com outra pessoa, deixamos de ser monocromáticos e viramos uma festa de cores, o que também é belo.

Enfim, obrigada pelos dois meses, Be!

Obs.: depois que eu comprei o granulado colorido, eu descobri que confete era outra coisa hahaha. Mals aí, Lu hahaha

|a queda|

Há uns anos, minha mãe ganhou uma bicicleta no sorteio do mercado. Nunca fiquei tão contente com o presente, já que quem usava era eu e não ela.

Durante um bom tempo, eu usei essa bicicleta para ir em todos os lugares possíveis e nos horários que me era conveniente. A vida era tão bela… E foi bela até o dia em que eu fiquei sem freio e com a corrente caindo em cada esquina.

Embora não houvesse mais condições de andar na bicicleta, eu persistia em usá-la. E isso foi até o dia em que eu fui pedalar e meu pé escorregou do pedal e eu voei da bicicleta. Sim, o machucado foi feio. E então lembrei do que um amigo falou para mim:”Luana, você está se importando muito com a situação e não está cuidando de você! Olha o seu estado.”.

Pensando um pouco na minha segurança, eu troquei de bicicleta. Pois eu me convenci de que não tinha mais jeito, eu teria que aposentar a “magrela” que quase me matou. A bike nova era zero bala, linda, perfeita…

Parecia um sonho estar pedalando em algo tão confortável. Mas, como já havia pego o jeito de desafiar o mundo em cima de duas rodas, comecei a pensar que sabia demais e comecei a me estrebuchar.

No segundo dia com a bicicleta nova, eu quase fui atropelada por um cara que passou no farol vermelho. E, uma semana depois, ou nem isso, eu fui ligeiramente atropelada.

No final de tudo isso, percebi que não havia entendido o significado da frase do meu amigo. Pois não adiantaria nada mudar o contexto das coisas e não mudar as minhas atitudes perante as mesmas.

E também notei, logo depois de cair feio e perceber que posso trabalhar como dublê, que não faz sentido eu querer coisas novas ao meu redor se o meu interior não se permitir começar tudo do zero.

Enfim, a vida é uma viagem onde a gente cai várias vezes e que depende de como a gente se levanta para definir a que lugar iremos chegar ao final do caminho.

|a gangorra|

Quem tem irmão mais velho sabe como é ficar preso no alto de uma gangorra. E, mais do que isso, entende qual a sensação de quando se está distraído e saem do outro lado e te deixam cair com tudo no chão. Pois é… Minha irmã se divertiu bastante fazendo isso comigo.

Sabe, a vida da gente é cheia de altos e baixos. Muitas vezes está tudo estabilizado e de repente tudo começa a mudar, principalmente para pior. Creio que a vida é como uma gangorra. Precisamos saber quem ou o quê colocamos do outro lado para ficarmos estáveis ou para ficarmos em um patamar mais alto.

Um exemplo besta é aquela historinha da formiga que guardou comida para se manter durante o inverno. No verão, a gangorra dela estava estável. Conforme ela foi juntando alimento, ela começou a subir pois escolheu colocar sabedoria do outro lado. Logo, quando o inverno chegou, ela, que estava em um patamar mais alto, começou a decair aos pouquinhos até ficar estável novamente e o inverno acabar.

Diferentemente da cigarra que, no verão, também estava estável, contudo, preferiu colocar preguiça do outro lado da sua gangorra. Com isso, ela sofreu uma bela queda no inverno por não ter o que comer e ficar com fome.

Dia a dia, a gente é quem escolhe o que colocar do outro lado da nossa gangorra. Então, temos que ter noção do que queremos para saber o que nos dará estabilidade. Não ignoremos que há também fatores externos, tipo a “boa vontade” da minha irmã, mas nada que não nos faça aprender a ficarmos mais atentos.

Enfim, cuide da sua gangorra pois ela é única!