|as experiências|

Até pouco tempo não sabia que parte da minha ansiedade se dá por experiências, tanto as que tive, quanto as que não tive.

Nesse mundo tecnológico, em que sabemos tudo da vida dos outros, é díficil não se cobrar por querer fazer coisas, e não poder; parece aos outros as coisas são mais fáceis. O mais saudável seria aprender a aceitar as experiências de outras pessoas e aprender com isso para saber o que fazer quando chegar a sua hora. O problema é saber esperar chegar a sua hora…

Por outro lado, vemos pessoas passando por situações que já temos conhecimento, até tentamos ajudar, mas sem muito êxito. O ser humano é muito capaz para aceitar conselhos, então só pensamos:”a vida ensina!”. Mas, sabe, às vezes a vida surpreende e não ensina nada. A pessoa nunca passará pela experiência que você passou, e se passar, não muda em nada, pois o sentimento do que houve é pessoal e intrasferível.

No final das contas, o plano é se aceitar e ver que todo dia é uma nova chance para conquistarmos mais experiências, seja ela conhecer lugares ou conhecer pessoas que vemos diariamente e nem damos bom dia. O plano é se permitir enxergar que as oportunidades são diferentes para cada um e que não é por acaso que você e eu nos encontramos onde estamos.

Amadurecer é preciso.

Bom dia 🙂

 

 

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|o projeto|

Lembro-me como se fosse ontem do meu processo seletivo. Um desastre. Saí chorando como um bebê. Não sabia nem que rumo tomar. Uma bofetada na cara.

Passado algum tempo, um email. Passei. Passei? PASSEI! Desacreditei do que estava lendo. Como assim passara se eu havia ido tão mal na seletiva? Não entendi no começo, mas abri o peito e me joguei em mais esse desafio.

Chegando lá, descobri que não havia passado no cargo que eu almejava. Entretanto, já estava dentro, poderia com o tempo chegar onde queria.

O trabalho começou.

Não foi muito difícil me encaixar em minhas funções. Comecei a ver com outros olhos o cargo que haviam me dado e comecei a entender sua relevância.

Passado um semestre, algumas pessoas nos deixaram, outras chegaram. Novos aprendizados, novos desafios. Passou outro semestre, outras saídas, outras entradas…

Hoje, não muito longe de quando chorei saindo do processo seletivo, eu consigo ver que nada é por acaso. O cargo que me deram acabou se tornando muito melhor que o que eu sonhei.

Nada é por acaso.

Boa noite.

|a reinvenção|

Reinventar-se não é nada mais nada menos do que ser persistente mudando as estratégias.

Sempre gostei de trabalhos manuais, apostando na minha criatividade e autocrítica do que fazia. Não precisava da aceitação dos outros quanto ao meu trabalho, somente o meu julgamento bastava, pois o esforço era meu.

Durante bastante tempo usei recicláveis, tanto é que já era conhecida no local de reciclagem do prédio. Adorava pegar tampas de refrigerante, embalagens de xampo, os vidros de geleia eram os melhores! Que tempo bom de sucata!

Passado alguns anos, eu queria criar estruturas. Ainda gostava dos recicláveis, mas precisava comprar alguns ítens. Palitos de sorvete. Algo melhor que eles para fazer uma sapateira?

Peguei meus conhecimentos da faculdade e apliquei na prática. Fiz desenhos tortos e medidas imprecisas. Hoje, tenho uns 10 pares de sapato guardados na sapateira. Ela não parece confiável, mas nunca me deixou na mão.

Reinventar o uso do palito de sorvete, reinventar os materiais que usava, reinventar-me em escolhas e decisões. Por mais que pareça que a sapateira vai cair, ela está de pé há um ano. E aceito o medo das pessoas em chegar perto, pois ela não tem uma aparência rígida.

Diversas frustrações, medos, inseguranças me rodeiam por esses tempos. Mas… Sabe… Do chão a sapateira não passa. Pego os palitos bons e os reaproveito. Pego os ruins e os substituo. Uso rebites ao inves de cola quente. Reinvento a roda e aceito que quando se está no fundo poço, a única alternativa é subir.

Bom dia!

|o espelho|

 

Certa vez, meus pais compraram um espelho para casa onde moramos. Na hora em que instalavam este na sala e definiam a altura para pregá-lo na parede, chamaram-me e perguntaram se eu conseguia me ver nele.

Após esse momento, o homem que pregava o espelho disse com certo deboche: “Nossa, já vi quem manda na casa!”. Por mais que, talvez, ele estivesse brincando, isso me marcou muito, porque, nem de longe, eu tinha autoridade para mandar em nada em casa.

Durante bastante tempo eu guardei aquele momento e refleti sobre o que ele significava para mim. Depois de uns seis anos, entendi.

Em meio a um mundo que muda tão rápido, há uma coisa que se perdeu que não deveria ter se esvaído: presença. A presença faz prestarmos atenção nos outros, sentir um pouco de suas frustrações e necessidades, faz demonstrar um amor puro.

Em meio a um mundo que muda tão rápid, corre-se muito em busca do pão nosso de cada dia, da casa própria, da realização de sonhos. Lembramos de quem amamos o dia todo, mas não demonstramos por acreditar que a mensagem no whatsapp é tão eficaz quanto um abraço.

Em meio a um mundo que muda tão rápi, as carências das pessoas não mudaram tão rápido e é importante valorizar que está perto, uma vez que só temos certeza da morte.

Em meio a um mundo que muda tão ráp, aproveite o dia de hoje, de amanhã e todos os outros para mostrar que, assim como você quer ser importante, as pessoas também são, e que sem elas você não seria nada.

Em meio a um mundo que muda tão rá, pendure o espelho na altura em que todos se vejam. Para que notem que todos tem cicatrizes, mas que o melhor curativo é o perdão.

Ligue para quem você ama. Perdoe.

Boa tarde 🙂

 

|o oxigênio|

Há um método criativo chamado brainstorming que funciona da seguinte maneira: pessoas se reúnem e discutem maneiras de resolver um problema falando a primeira coisa que vem na cabeça.

Parece simples, não é mesmo? Só tem um problema, há ideias que julgamos tão óbvias que damos risada ao escutar, contudo, não pode rir. Devemos respeitar a opinião do integrante a fim de sair da zona de conforto.

Para cada problema que temos que resolver, precisamos de ideias. Precisamos de oxigênio.

Muitas vezes, temos desafios cabeludos a nossa volta e tentamos fazer tudo sozinhos. Nos entupimos de café, dormimos pouco, comemos mal. Quando chegamos ao final, parece que corremos uma maratona. Cansados, carentes, sem fôlego.

Não seria melhor, às vezes, confiar mais nos outros e agregar pulmões para ter mais ar e correr atrás de soluções? Abafar o ego, aceitar ajuda e ver que aquela ideia que você ri talvez seja a melhor para o todo?

Nem todo ar é bom de se respirar, mas será que dividir o cansaço não traria mais fôlego e uma vida melhor?

Fica aí a dúvida.

Boa noite!

 

|o cabelo|

Quando criança, eu não tinha o porquê de me importar com o meu cabelo, já que ele era  tão liso que perdia todas as tiaras, tic-tacs, xuxinhas. Quando a puberdade chegou, meu cabelo tomou uma forma indefinida, era meio liso, meio enrolado, meio complicado. Na adolêscencia, tentei dar um jeito nele, fiz progressiva, hidratação, selagem. Mas passava algum tempo e ele voltava a ficar sem forma.

Nunca fui muito vaidosa, então, acabei desistindo dele. A xuxinha virou minha melhor amiga e só soltava as madeichas em ocasiões especiais como casamentos e festas. Fazia uma chapinha aqui, uma escova ali e tudo certo.

Certo dia, fui a um retiro de jovens da igreja que frequentava e uma moça falou para eu brincar com o meu cabelo. Claro que detestei a ideia, porque, para mim, quanto mais eu mexia, menos eu gostava.

E foi, aí que entendi o que eu estava fazendo de errado com o meu cabelo: eu não aceitava a forma dele. Por isso que não fazia questão de soltá-lo, de vê-lo, de dar movimento a ele.

A partir dessa descoberta, percebi que fazia o mesmo com meu meu corpo. Eu não gostava dele, não o aceitava. Então comecei a dar movimento a ele, ir à academia, fazer exercícios físicos com alguma frequência.

E disso vieram várias outras descobertas sobre a inércia em mim mesma e sobre a necessidade de me mover no sentido de me aceitar mais e, como consequência, gostar mais do que eu sou.

“Quanto mais mexe, mais fede”, talvez essa frase faça sentido quando não temos certeza do que estamos fazendo, e, como isso é uma constante, pode feder, pois são dos riscos e das incertezas que nascem grandes ideia e pessoas.

Bom dia!

|o (des)entendimento|

Até o primeiro ano do ensino médio, não entendia a malícia envolvida por trás da música sabão crá-crá. Sim, imaginava uma sacola de mercado com cabelos dentro! Acredite se quiser.

Nunca fui muito rápida para entender tais entrelinhas: malícia, ironia, sarcasmo. Isso é bom por um lado, porque eu não fico triste ou envergonhada (a ignorância é um benção). Mas, por outro lado, é terrível, pois sou motivo de chacota e perco um pouco a noção de como lidar com as pessoas.

Estávamos eu e uma amiga em frente ao nosso colégio. De repente sentou ao nosso lado uma garota da turma. Ela começou a reclamar sobre suas amigas, que elas eram isso, eram aquilo… Passados 15 minutos de desabafo, ela foi embora. Olhei para a cara da minha amiga e falei:”Que feio! Isso que elas são amigas!”. Minha amiga com o maior entendimento do mundo falou:”Lu, ela está nervosa, não tem nem noção do que está falando. Daqui a pouco elas voltam a se falar”.

Na hora, fiquei menor do que já sou. Parei de pensar sobre falsidade e comecei a pensar sobre como eu queria ter esse entendimento da minha amiga, para poder errar menos e parar de falar alguns preconceitos de quem não sabe ler entrelinha.

Muitas vezes, as coisas estão acontecendo ao nosso redor, mas nós só estamos vendo aquilo que nos convêm, não dando conta que nem tudo é o que vemos. Acho isso complexo, mas nada que um treino diário não possa clarear essa entrelinha em Arial 4.

Boa tarde.