|a casquinha do machucado|

É bastante comum crianças e adultos arrancarem as casquinhas dos machucados. Dá tanto prazer tirar aquela pele preta e espessa, mesmo que demore para sarar, dá prazer.

Faço parte de uma geração cobaia da influência demasiada de tecnologia. Um grupo com alto potencial, mas muita ansiedade envolvida. Talvez sejamos mais sensíveis por ter tantas ferramentas na mão, e pouca instrução de onde podemos ir com tudo isso.

Arrancamos sem dó nossas casquinhas, e, mesmo quando não queremos, algumas pessoas dizem: “Nossa que delícia seria arrancar essa pele!”. Pela tentação, vamos e fazemos. Talvez sejamos mais fracos e queiramos tudo para ontem, mas isso não nos diminui quanto seres humanos que somos.

Nossa geração é diferente, é aflita, quer mudanças que nossos pais asseguram não acontecer. Nossa geração sabe que ficará com cicatriz retirando a pele, e mesmo assim o faz, porque é normal, é prazeiroso. Nossa geração, tem problemas como todas as outras, mas é chamada de “geração mimimi”. Nossa geração precisa de ajuda.

Parece que anterior à nosso grupo, as pessoas eram mais fortes e mais decididas. Hoje, somos diferentes, por isso precisamos aceitar e saber lidar com as atuais necessidades de cada um. Cada um tem seu pessimismo próprio e difundir o seu nos outros não é fazer o outro mais sucetível à sociedade, é matar lentamente uma esperança.

Ontem, hoje e amanhã, continuaremos sendo seres humanos carentes, com feridas e marcas, e a melhor maneira da casquinha não ser arrancada é amando a si e ao próximo, assim, não haverá sangue e as dúvidas e medos passarão.

Ame e transmita amor.

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|o bilhete do metrô|

Chego em São Paulo de mala e cuia após uma semana densa. Entro no metrô confiante de que tinha R$4,00 no meu bilhete único. Tenho R$3,00 e 50 centavos de moeda, nada mais. Olho para os lados, um calor sobe e aquece meu rosto. Vou à saída da bilheteria e peço por ajuda. Descabelada, suada, cheia de mala. Consigo 50 centavos e vou ao guichê para carregar o bilhete. A máquina come o meu dinheiro.

Desespero, mas sigo em frente. Pergunto ao homem do guichê como proceder: “Liga na empresa do bilhete único que um dia eles te ressarcem”. Precisava voltar para casa logo, talvez esse não fosse o melhor conselho. Acabo falando com o segurança da estação, ele olha para minha camiseta da universidade, verifica meu cartão, me dá acesso.

Quase chorando pelo nervoso, subo a escada infinita da estação e durante esse momento percebo que a máquina que comeu o meu dinheiro também aceitava cartão de débito.

Tenho aprendido sobre como me organizar para lidar com tantas tarefas diárias que criei para mim e, após esse episódio, percebi o quão importante é enxergar todas as possibilidades para se resolver um problema. A faculdade até que colabora para tal, mas o melhor professor é a vida.

Sigo em desenvolvimento e constante manutenção.

Bom dia 🙂

|as experiências|

Até pouco tempo não sabia que parte da minha ansiedade se dá por experiências, tanto as que tive, quanto as que não tive.

Nesse mundo tecnológico, em que sabemos tudo da vida dos outros, é díficil não se cobrar por querer fazer coisas, e não poder; parece aos outros as coisas são mais fáceis. O mais saudável seria aprender a aceitar as experiências de outras pessoas e aprender com isso para saber o que fazer quando chegar a sua hora. O problema é saber esperar chegar a sua hora…

Por outro lado, vemos pessoas passando por situações que já temos conhecimento, até tentamos ajudar, mas sem muito êxito. O ser humano é muito capaz para aceitar conselhos, então só pensamos:”a vida ensina!”. Mas, sabe, às vezes a vida surpreende e não ensina nada. A pessoa nunca passará pela experiência que você passou, e se passar, não muda em nada, pois o sentimento do que houve é pessoal e intrasferível.

No final das contas, o plano é se aceitar e ver que todo dia é uma nova chance para conquistarmos mais experiências, seja ela conhecer lugares ou conhecer pessoas que vemos diariamente e nem damos bom dia. O plano é se permitir enxergar que as oportunidades são diferentes para cada um e que não é por acaso que você e eu nos encontramos onde estamos.

Amadurecer é preciso.

Bom dia 🙂

 

 

|o projeto|

Lembro-me como se fosse ontem do meu processo seletivo. Um desastre. Saí chorando como um bebê. Não sabia nem que rumo tomar. Uma bofetada na cara.

Passado algum tempo, um email. Passei. Passei? PASSEI! Desacreditei do que estava lendo. Como assim passara se eu havia ido tão mal na seletiva? Não entendi no começo, mas abri o peito e me joguei em mais esse desafio.

Chegando lá, descobri que não havia passado no cargo que eu almejava. Entretanto, já estava dentro, poderia com o tempo chegar onde queria.

O trabalho começou.

Não foi muito difícil me encaixar em minhas funções. Comecei a ver com outros olhos o cargo que haviam me dado e comecei a entender sua relevância.

Passado um semestre, algumas pessoas nos deixaram, outras chegaram. Novos aprendizados, novos desafios. Passou outro semestre, outras saídas, outras entradas…

Hoje, não muito longe de quando chorei saindo do processo seletivo, eu consigo ver que nada é por acaso. O cargo que me deram acabou se tornando muito melhor que o que eu sonhei.

Nada é por acaso.

Boa noite.

|a reinvenção|

Reinventar-se não é nada mais nada menos do que ser persistente mudando as estratégias.

Sempre gostei de trabalhos manuais, apostando na minha criatividade e autocrítica do que fazia. Não precisava da aceitação dos outros quanto ao meu trabalho, somente o meu julgamento bastava, pois o esforço era meu.

Durante bastante tempo usei recicláveis, tanto é que já era conhecida no local de reciclagem do prédio. Adorava pegar tampas de refrigerante, embalagens de xampo, os vidros de geleia eram os melhores! Que tempo bom de sucata!

Passado alguns anos, eu queria criar estruturas. Ainda gostava dos recicláveis, mas precisava comprar alguns ítens. Palitos de sorvete. Algo melhor que eles para fazer uma sapateira?

Peguei meus conhecimentos da faculdade e apliquei na prática. Fiz desenhos tortos e medidas imprecisas. Hoje, tenho uns 10 pares de sapato guardados na sapateira. Ela não parece confiável, mas nunca me deixou na mão.

Reinventar o uso do palito de sorvete, reinventar os materiais que usava, reinventar-me em escolhas e decisões. Por mais que pareça que a sapateira vai cair, ela está de pé há um ano. E aceito o medo das pessoas em chegar perto, pois ela não tem uma aparência rígida.

Diversas frustrações, medos, inseguranças me rodeiam por esses tempos. Mas… Sabe… Do chão a sapateira não passa. Pego os palitos bons e os reaproveito. Pego os ruins e os substituo. Uso rebites ao inves de cola quente. Reinvento a roda e aceito que quando se está no fundo poço, a única alternativa é subir.

Bom dia!

|o espelho|

 

Certa vez, meus pais compraram um espelho para casa onde moramos. Na hora em que instalavam este na sala e definiam a altura para pregá-lo na parede, chamaram-me e perguntaram se eu conseguia me ver nele.

Após esse momento, o homem que pregava o espelho disse com certo deboche: “Nossa, já vi quem manda na casa!”. Por mais que, talvez, ele estivesse brincando, isso me marcou muito, porque, nem de longe, eu tinha autoridade para mandar em nada em casa.

Durante bastante tempo eu guardei aquele momento e refleti sobre o que ele significava para mim. Depois de uns seis anos, entendi.

Em meio a um mundo que muda tão rápido, há uma coisa que se perdeu que não deveria ter se esvaído: presença. A presença faz prestarmos atenção nos outros, sentir um pouco de suas frustrações e necessidades, faz demonstrar um amor puro.

Em meio a um mundo que muda tão rápid, corre-se muito em busca do pão nosso de cada dia, da casa própria, da realização de sonhos. Lembramos de quem amamos o dia todo, mas não demonstramos por acreditar que a mensagem no whatsapp é tão eficaz quanto um abraço.

Em meio a um mundo que muda tão rápi, as carências das pessoas não mudaram tão rápido e é importante valorizar que está perto, uma vez que só temos certeza da morte.

Em meio a um mundo que muda tão ráp, aproveite o dia de hoje, de amanhã e todos os outros para mostrar que, assim como você quer ser importante, as pessoas também são, e que sem elas você não seria nada.

Em meio a um mundo que muda tão rá, pendure o espelho na altura em que todos se vejam. Para que notem que todos tem cicatrizes, mas que o melhor curativo é o perdão.

Ligue para quem você ama. Perdoe.

Boa tarde 🙂

 

|o oxigênio|

Há um método criativo chamado brainstorming que funciona da seguinte maneira: pessoas se reúnem e discutem maneiras de resolver um problema falando a primeira coisa que vem na cabeça.

Parece simples, não é mesmo? Só tem um problema, há ideias que julgamos tão óbvias que damos risada ao escutar, contudo, não pode rir. Devemos respeitar a opinião do integrante a fim de sair da zona de conforto.

Para cada problema que temos que resolver, precisamos de ideias. Precisamos de oxigênio.

Muitas vezes, temos desafios cabeludos a nossa volta e tentamos fazer tudo sozinhos. Nos entupimos de café, dormimos pouco, comemos mal. Quando chegamos ao final, parece que corremos uma maratona. Cansados, carentes, sem fôlego.

Não seria melhor, às vezes, confiar mais nos outros e agregar pulmões para ter mais ar e correr atrás de soluções? Abafar o ego, aceitar ajuda e ver que aquela ideia que você ri talvez seja a melhor para o todo?

Nem todo ar é bom de se respirar, mas será que dividir o cansaço não traria mais fôlego e uma vida melhor?

Fica aí a dúvida.

Boa noite!