|o clipes|

Certa vez, peguei um clipes que estava no meio das coisas da minha irmã e comecei a usar. Mas, devo explicar que não era um simples clipes. Ele veio de Itu, só pode, já que era enorme.

Um arrependimento muito grande me bateu quando usei esse “querido” clipes, pois ele marcou todas as folhas que estavam presas de tal maneira que viraram folhas de rascunho.

Se considerarmos que nós somos as folhas e o clipes é o motivo, podemos dizer que nos unimos a diferentes pessoas por causa de diferentes motivos. Então, o motivo de nos unirmos às outras pessoas modificam o que somos.

Por vezes, tomamos o motivo pelo qual nos juntamos aos outros tão grandioso que nos machucamos. Por exemplo, quando nos unimos aos outros por causa de um problema e, com o tempo, você ainda acredita na relevância dele, mas as outras pessoa não, então você se machuca.

Já em outros momentos, acreditamos que um motivo mínimo é o suficiente para nos unir a muitas outras pessoas, e acabamos nos perdendo. Como é o caso de uma passeata que não dá certo pela pauta não ser tão promissora.

Contudo, felizmente há o caso em que o clipes é do tamanho certo e deixa a marca certa nas pessoas. Isso é o que eu chamo de amizade, já que prende mas não aprisiona, já que marca mas não machuca.

Você tem sido preso pelos clipes certos?

Boa tarde!

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|a mochila|

Tenho uma amiga que diz que carrego uma escoliose na mochila.

Embora carregue o que acho necessário, dia desses consegui tirar uma lata de lixo de papel e coisas inúteis da minha mala. Então notei que estava sobrecarregando minha coluna com coisas não muito importantes.

Sei que problemas todo mundo tem, mas nem todos precisam ser carregados nas costas para lá e para cá. Podemos deixar alguns de lado, principalmente aqueles que não dependem de nós mesmos para serem solucionados. Entregar o problema na mão de alguém que você confie, pode ser um Deus, uma pessoa, um profissional, é uma boa saída para aliviar o peso.

Não penso ser ideal jogar todos os nossos problemas em todo mundo. Temos que ter a coragem de quebrar a cara até conseguir resolver alguns, ou então, saber qual deles nós vamos compartilhar. Não acredito ser uma resolução postar tudo o que ocorre na vida em redes sociais, mesmo que isso seja bastante confortante, pois, assim como tem áreas da minha mochila que não gosto que mexam, não acho interessante dar a liberdade a outros para que isso venha a ocorrer.

Mas, o que prejudica mais a gente, é o peso de todos esses problemas e preocupações. Pois, assim como ficamos meio curvados usando mochilas pesadas, os problemas que a gente carrega na nossa cabeça também mexe com a nossa postura e com a nossa aparência. Aparentamos cansados, fatigados e cabisbaixos, esquecendo de ver a vida ao nosso redor.

Fortes são aqueles que usam malas pesadas ou que tem problemas demais para resolver e conseguem andar eretos e sorrindo. Felizes são aqueles que sabem entregar os seus problemas nas mãos certas, fazer a sua parte e esperar que outros fatores minimizem o peso que nem sempre precisamos carregar.

A vida é cheia de escolhas e nem tudo que a gente acredita ser necessário realmente é.

Boa noite!

|o estilete|

Havia um homem que gostava de apontar o lápis com estilete. Eu não entendia o porquê da preferência se usar o apontador era bem mais fácil… Passados uns cinco anos, eu consegui entender.

Minha mãe comprou uma caixa de lápis com 12 unidades. Assim que fui usar o primeiro, ele caiu no chão e quebrou a ponta. Instintivamente peguei o apontador e comecei a apontá-lo. Apontei. Apontei. Apontei. Quando vi, o lápis estava um toco. Ou seja, acabava de ganhar 11 lápis da minha mãe.

Depois desse desgosto, tentei dar ponta ao próximo lápis usando um estilete. Senti-me uma artista esculpindo a ponta do lápis. Cada lasca de madeira que caía, era um sorriso por ver uma ponta torta, embora firme, nascendo.

Ao final dessa experiência tão banal, eu entendi o porque daquele homem gostar de usar estilete. Ele o fazia porque da mesma forma que um apontador não pode sempre dar uma ponta perfeita a um lápis, os problemas da vida não podem ser resolvidos sempre com as mesmas atitudes.

Cada dia mais, a vida mostra que nem tudo é perfeito, logo, é preferível que a ponta do lápis fique torta e irregular, mas firme ao desperdiçar o lápis todo por causa do comodismo na busca de uma falsa perfeição.

Boa noite!

 

|a porta|

Todos temos portas e chaves.

Muitas pessoas entram em locais e saem sem fechar a porta. Outras abrem delicadamente para não acordar os pais que estão dormindo. Têm aquelas que esmurram a porta até quem deixou a chave virada abri-la. Há quem chegue em casa com as pernas trançando por causa de xixi ou por causa de bebida. Algumas pessoas que sempre esquecem a chave e ficam trancadas do lado de fora. Também existe gente que bate na porta e entra para nunca mais sair.

Há senhores que dão cópias da sua chave de casa para diversas pessoas, pois, caso haja uma eventualidade, eles podem ser socorridos. Diversas pessoas usam a fechadura interna, a fechadura de chave tetra, a fechadura chave de comum, a fechadura de blábláblá. Boa parte dos seres humanos “escondem” a chave debaixo do tapete ou atrás de quadros ou em outros locais super “secretos”. Ademais, certas pessoas loucas entregam a sua chave de acesso de redes sociais para outra pessoa.

Muitas pessoas entram na nossa vida e saem sem dar tchau. Outras entram de forma cautelosa para não nos assustar. Têm aquelas que entram sem pedir licença e fazem um bela bagunça por onde passam. Há quem chegue de forma desajeitada e aleatória mas que acaba entrando de alguma forma na nossa história. Algumas pessoas que persistem em falar com as portas. Também existe gente que invade o nosso espaço e que, com um acordo comum, nunca mais sai.

Há senhores que contam a sua vida inteira para o primeiro estranho que aparece – principalmente na fila do hospital-. Diversas pessoas são tão fechadas para si mesmas que, querendo se sentir protegidas, acabam sendo sozinhas em seu próprio mundo. Boa parte dos seres humanos esconde tão bem os seus segredos que até a TV Fama já fez uma matéria sobre. Ademais, certas pessoas loucas casam.

Boa noite!

|o ímã|

Quando eu era criança, era muito comum as pessoas terem ímãs de geladeira de frutinha-gente. E eu, que sempre tive facilidade em trabalhos manuais, resolvi comprar massinha de biscuit, cordão e ‘n’ outros acessórios para fazer um desse para dar de presente para a minha tia. O resultado final não ficou igual ao que tinha à venda em lojas de 1,99, mas achava sensacional ir na casa da minha tia e ver um pedacinho de mim na geladeira.

E a minha infância foi assim, quando a minha mãe comprava algum presente, eu tinha que fazer um “complemento” para ele. Então, para isso, eu usava cartela de remédio vazia, pote de Danoninho, pedaços de tapete… Ou seja, sempre fui meio lixeira. Mas eu me divertia bastante fazendo esses “mimos” e me emocionava muito – mesmo que eu não demonstrasse – com a reação das pessoas ao receber aquilo que eu investi meu TEMPO em fazer.

Hoje em dia, eu não mudei muito. Claro que não faço mais artesanatos como quando eu era criança, mas eu sempre tento fazer algo diferente para ser o “complemento” do meu presente – uma carta, uma caixa, uma gota de perfume e etc. Não sei, mas acho que as pessoas esqueceram qual o real valor de um presente, o qual acredito que seja: se fazer presente.

Enfim, só não faço algo se eu não quiser fazer. E você?

|a gangorra|

Quem tem irmão mais velho sabe como é ficar preso no alto de uma gangorra. E, mais do que isso, entende qual a sensação de quando se está distraído e saem do outro lado e te deixam cair com tudo no chão. Pois é… Minha irmã se divertiu bastante fazendo isso comigo.

Sabe, a vida da gente é cheia de altos e baixos. Muitas vezes está tudo estabilizado e de repente tudo começa a mudar, principalmente para pior. Creio que a vida é como uma gangorra. Precisamos saber quem ou o quê colocamos do outro lado para ficarmos estáveis ou para ficarmos em um patamar mais alto.

Um exemplo besta é aquela historinha da formiga que guardou comida para se manter durante o inverno. No verão, a gangorra dela estava estável. Conforme ela foi juntando alimento, ela começou a subir pois escolheu colocar sabedoria do outro lado. Logo, quando o inverno chegou, ela, que estava em um patamar mais alto, começou a decair aos pouquinhos até ficar estável novamente e o inverno acabar.

Diferentemente da cigarra que, no verão, também estava estável, contudo, preferiu colocar preguiça do outro lado da sua gangorra. Com isso, ela sofreu uma bela queda no inverno por não ter o que comer e ficar com fome.

Dia a dia, a gente é quem escolhe o que colocar do outro lado da nossa gangorra. Então, temos que ter noção do que queremos para saber o que nos dará estabilidade. Não ignoremos que há também fatores externos, tipo a “boa vontade” da minha irmã, mas nada que não nos faça aprender a ficarmos mais atentos.

Enfim, cuide da sua gangorra pois ela é única!

|o sulfite|

Ganhei uma folha sulfite. De início eu desenhei nela, mas acabei não achando bonito o que eu fiz e acabei rasgando a folha.

Após pouco tempo, comecei a notar que meu desenho era lindo e tentei juntar o pedaços do desenho que eu mesma havia rasgado. Usando um durex aqui e paciência ele ficou reconstruído, horrível, mas reconstruído.

Como o durex era uma porcaria, e eu gostava muito de manusear o desenho, o desenho começou a ficar cada vez mais desgastado, feio e estranho. Não era mais a mesma coisa.

Após mais algum tempo ele não resistiu. O sulfite que era bonito inicialmente virou um monte de pedaçinhos de papel avulsos. Não havia mais conserto.

Decidida de que era a hora de dar tchau, peguei aquele punhado de papel, que um dia fora um desenho que tanto gostei, e joguei ao vento pela janela de minha casa. Não fiz isso com o intuito de poluir a cidade, mas com o intuito de poder ver em cada canto de onde eu fosse um restinho bobo de algo que era bonito e que se desfez.

Todo dia é dia de começarmos um novo desenho, guardar na memória os que se perderam e cuidar dos mais valorosos. Cuide bem do seu papel sulfite, beleza?