|a venda|

Considero a vaidade acadêmica como uma venda que corrompe o ego do vaidoso e das pessoas ao seu redor.

Ontem, fui a um evento de filosofia, fugi um pouco da bolha que é minha faculdade. Lá tinham diversos vestibulandos, uns sozinhos, outros acompanhados. Havia também senhores, senhoras, curiosos. Enfim… Como boa tagarela, comecei a conversar com uma família que sentou ao meu lado. Pai, desenhista. Mãe, psicopedagoga. Filha, “futura estudante de direito da sanfran”, respondeu a mãe ao olhar para filha que estava com uma carinha apreensiva e ansiosa. Vaidade familiar.

Em meu curso a vaidade reina. Demorei um pouco a aprender como fugir de papos relacionados a colocação na turma, quem tirou a maior nota, lambeção de professor. Honestamente, talvez seja recalque por não ser nenhum deles, mas o meu sentimento é de pena para essas pessoas. Sim, pena, pois vaidade também significa vazio e eu acho que cada um dá ao mundo aquilo não aquilo que pode, mas o que tem a oferecer. Vaidade infantil.

Há também entre estudantes um outro tipo de vaidade, aquela em que a pessoa para se inserir em um grupo mente para si mesma a fim de parecer burra. “Nossa não estudei nada”, “Nossa, acho que fui mal nessa prova”, “Nossa…”. Para depois usar o mesmo argumento dizendo que foi bem na avaliação, teste, seja lá o que for. Acredito essa ser  a vaidade mais egoísta, pois cresce o seu ego destruindo aqueles que realmente tem dificuldade. Vaidade enrustida.

Por fim, o começo. Tudo começa pelo discurso daqueles que tem poder e espaço para sua oratória: pseudoprofessores, pseudo-incentivadores. Uma vez que alguém corrompe a liberdade intelectual do outro em prol de produção a curto prazo, competição exacerbada, cegueira social, inatividade criativa e repetição de conteúdo de terceiros, me sinto no direito de nomear pseudo-ser-humano. Pessoa falsa, pois quer criar na vida de terceiros aquilo que não conseguiu em sua vida.

A venda é pior que um cabresto, com este se enxerga algo, há luz; mas com aquele há a falsa ilusão de saber o que está acontecendo, já que a pessoa está perdida, vazia de visões e somente acredita naquilo que falam para ela e no que ela mesmo fala. Logo, por não verem ao seu redor, esbarram, derrubam e pisam naqueles que não conseguem ver, ou seja, todos.

Boa tarde!

 

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