|o clipes|

Certa vez, peguei um clipes que estava no meio das coisas da minha irmã e comecei a usar. Mas, devo explicar que não era um simples clipes. Ele veio de Itu, só pode, já que era enorme.

Um arrependimento muito grande me bateu quando usei esse “querido” clipes, pois ele marcou todas as folhas que estavam presas de tal maneira que viraram folhas de rascunho.

Se considerarmos que nós somos as folhas e o clipes é o motivo, podemos dizer que nos unimos a diferentes pessoas por causa de diferentes motivos. Então, o motivo de nos unirmos às outras pessoas modificam o que somos.

Por vezes, tomamos o motivo pelo qual nos juntamos aos outros tão grandioso que nos machucamos. Por exemplo, quando nos unimos aos outros por causa de um problema e, com o tempo, você ainda acredita na relevância dele, mas as outras pessoa não, então você se machuca.

Já em outros momentos, acreditamos que um motivo mínimo é o suficiente para nos unir a muitas outras pessoas, e acabamos nos perdendo. Como é o caso de uma passeata que não dá certo pela pauta não ser tão promissora.

Contudo, felizmente há o caso em que o clipes é do tamanho certo e deixa a marca certa nas pessoas. Isso é o que eu chamo de amizade, já que prende mas não aprisiona, já que marca mas não machuca.

Você tem sido preso pelos clipes certos?

Boa tarde!

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|o (des)entendimento|

Até o primeiro ano do ensino médio, não entendia a malícia envolvida por trás da música sabão crá-crá. Sim, imaginava uma sacola de mercado com cabelos dentro! Acredite se quiser.

Nunca fui muito rápida para entender tais entrelinhas: malícia, ironia, sarcasmo. Isso é bom por um lado, porque eu não fico triste ou envergonhada (a ignorância é um benção). Mas, por outro lado, é terrível, pois sou motivo de chacota e perco um pouco a noção de como lidar com as pessoas.

Estávamos eu e uma amiga em frente ao nosso colégio. De repente sentou ao nosso lado uma garota da turma. Ela começou a reclamar sobre suas amigas, que elas eram isso, eram aquilo… Passados 15 minutos de desabafo, ela foi embora. Olhei para a cara da minha amiga e falei:”Que feio! Isso que elas são amigas!”. Minha amiga com o maior entendimento do mundo falou:”Lu, ela está nervosa, não tem nem noção do que está falando. Daqui a pouco elas voltam a se falar”.

Na hora, fiquei menor do que já sou. Parei de pensar sobre falsidade e comecei a pensar sobre como eu queria ter esse entendimento da minha amiga, para poder errar menos e parar de falar alguns preconceitos de quem não sabe ler entrelinha.

Muitas vezes, as coisas estão acontecendo ao nosso redor, mas nós só estamos vendo aquilo que nos convêm, não dando conta que nem tudo é o que vemos. Acho isso complexo, mas nada que um treino diário não possa clarear essa entrelinha em Arial 4.

Boa tarde.

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|a fala|”

Indo a uma entrevista de um projeto da faculdade, comecei a conversar com um senhor. Devia ter em torno de uns 60 anos, trabalhava como aspirador de grama e usava uma máquina parecida com essa.

O nosso diálogo foi muito difícil uma vez que não entendia o que ele falava, além de incômodo, pois em vários momentos tive que pedir que repetisse alguma frase.

Não fazia sentido. “Porque que eu não consigo entender o que ele fala? Será que ele é de outra região do país? Será que nunca foi à escola? Será…? Será…? Será…?”. Não cheguei a nenhuma conclusão.

Após muita luta para trocar meia dúzia de palavras, cheguei a minha entrevista. Era para dar uma aula de matemática para organizadores de um cursinho popular.

A primeira informação foi: “Fingiremos ser de uma turma de escola pública muito defasada”. Pensei: “Beleza! Vai ser tranquilo”. Comecei a minha aula.

Passados dois minutos, uma pessoa levanta a mão: “Não entendi”. Expliquei novamente. Passados 30 segundos: “Não entendi”. Expliquei de novo. E foi uma sucessão de  “Não entendi” atrás, ao lado, à frente de “Não entendi”. Até que me dei conta, eu tinha que explicar uma matéria sem introduzir essa matéria.

Fui arriscando, tentando fazer com que fosse entendida. Falhei. Parecia tão óbvio o que eu falava e como falava que esqueci da primeira informação: “Fingiremos ser de uma turma de escola pública muito defasada”. Eu não tinha noção da dificuldade que eles tinham.

Após uns 500 tapas na cara, veio a análise das pessoas que me assistiram: “Você é muito ansiosa”. Então a ficha caiu. Na ânsia de me fazer entendida, esqueci com quem estava falando e então criei uma barreira de linguagem entre mim e os alunos.

Nesse quesito, eu era o senhor. Ansiosa para passar uma informação e me isolando por não conseguir fazê-la. Mas também escutei: “Você é paciente”. E vi que ansiedade e paciência andam juntam, pois quanto mais ansioso mais exercício de paciência é necessário.

Então, notei que o diálogo só acontece quando sabemos o que queremos transmitir e com qual público estamos lidando.

Boa noite!

|a doação de sangue|

Acredito que muitos que me acompanham em rede social sabem que doou sangue há um tempo, contudo o que nunca contei é que meu sangue sai mais lentamente até a bolsa do que o de outras pessoas.

Dia desses, entrosei com um grupinho para fazer a doação. Fui a primeira a entrar na sala de coleta, mas não a primeira a sair, é claro. Um dos moços que estava no grupo, começou depois de mim e saiu antes do que eu. Surpreendi-me, mas fiquei deitadinha pensando na vida, afinal, cada corpo tem seu ritmo.

Desse fato tão mínimo, veio uma big retrospectiva do meu ano na minha cabeça.

Esse ano que, graças a Deus, está acabando, teve seus altos, baixos, médios e cinco bolas. Acredito que tenha sido um dos anos mais difíceis da minha vida. Contudo, devo admitir que eu coloquei uma intensidade nas coisas maior do que elas tinham. Eu competi com os outros ao invés de competir comigo mesma.

Entretanto, de todas as dificuldades que encarei, acredito que o saldo foi muito positivo, pois aprendi que tenho limites, e que mais importante de saber que eles existem é respeitá-los.

Eu podia ter apertado mais forte a *”hemácia gigante” para ver se saía sangue mais rápido de mim, mas não ia adiantar nada (como não adiantou para outro moço que estava com o mesmo problema que eu na doação). Respeitei meus limites.

Nesse ano, eu tive que abdicar de bastantes coisas para poder ter saúde. Tive que aceitar que muitas vezes cinco bolas vem de cinco colas, e que não preciso participar dessa sujeira para me formar um dia. Aprendi a lidar com uma doença psíquica dada em um amigo. Quase virei corretora de imóveis. Cresci em fé. Respeitei meus limites.

É frustante aceitar que o seu ritmo mental e físico não é o mesmo do que é exigido nas suas escolhas. Todavia, aceitar que você tem um corpo e saúde únicos e adequar as suas escolhas ao seu ritmo é sabedoria.

O que eu desejo para você que me segue nesse blog é um final de ano sábio e um 2017 maravilhoso, porque os dias desse ano podem ter sido uma choradeira, mas os dias que estão por vir pode ser de pura alegria (como os meus estão sendo atualmente).

Um grande beijo e obrigada pelo carinho de todos esse ano!

Ps.: doe sangue, salve vidas!

*hemácia gigante – durante a doação as enfermeiras dão um objeto para ficar apertando, nesse dia elas deram uma hemácia gigante.

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|o arroz e feijão|

O restaurante universitário, ou RU, não é o lugar favorito de muita gente, mas é lá que muitas pessoas vão todos os dias para salvarem seu pequeno orçamento universitário.

Arroz, feijão e carne. Arroz, feijão e kibe. Arroz, feijão e nuggets. Arroz, feijão e frango fimose. Arroz, feijão e… Uma rotina chamada arroz e feijão. Uma rotina chamada provas. Uma rotina chamada estudos. Uma rotina chamada faculdade.

Todo dia o mesmo gosto de arroz e feijão. Acordar, engolir um café por ter dormido uns cinco minutos a mais, ir para a faculdade, bandejar, tirar uma soneca, voltar para casa, estudar, bandejar, estudar, dormir. Arroz e feijão.

Minha rotina é tão regrada que quando me chamam para comer uma coxinha no bar que fica subindo o morro, eu morro de emoção. Quando tem pudim com gosto pseudo-baunilha-sem-gosto-de-baunilha no “bandeco”, eu abro um sorriso tão largo que você não imagina.

Presa pelas garras da rotina, essa sou eu nesse período. Mas… Em meio a tanto pessimismo do arroz e feijão eu consigo valorizar qualquer brecha, qualquer festa, qualquer piada que me faz mais feliz e me livra dessa fase tão penosa.

O vestibular me trouxe essa rotina. Mas, também, me trouxe um mundo tão interessante de se conhecer, pessoas tão legais, novos sonhos, amadurecimento. E são nesses momentos em que vejo além do ridículo sentimento de zerar uma prova, que eu degusto uma suculenta picanha.

Quem quer, consegue olhar além do que tem a sua frente.

Boa tarde!

Ps.: O pudim do “bandeco” me faz alguém melhor.

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|a venda|

Considero a vaidade acadêmica como uma venda que corrompe o ego do vaidoso e das pessoas ao seu redor.

Ontem, fui a um evento de filosofia, fugi um pouco da bolha que é minha faculdade. Lá tinham diversos vestibulandos, uns sozinhos, outros acompanhados. Havia também senhores, senhoras, curiosos. Enfim… Como boa tagarela, comecei a conversar com uma família que sentou ao meu lado. Pai, desenhista. Mãe, psicopedagoga. Filha, “futura estudante de direito da sanfran”, respondeu a mãe ao olhar para filha que estava com uma carinha apreensiva e ansiosa. Vaidade familiar.

Em meu curso a vaidade reina. Demorei um pouco a aprender como fugir de papos relacionados a colocação na turma, quem tirou a maior nota, lambeção de professor. Honestamente, talvez seja recalque por não ser nenhum deles, mas o meu sentimento é de pena para essas pessoas. Sim, pena, pois vaidade também significa vazio e eu acho que cada um dá ao mundo aquilo não aquilo que pode, mas o que tem a oferecer. Vaidade infantil.

Há também entre estudantes um outro tipo de vaidade, aquela em que a pessoa para se inserir em um grupo mente para si mesma a fim de parecer burra. “Nossa não estudei nada”, “Nossa, acho que fui mal nessa prova”, “Nossa…”. Para depois usar o mesmo argumento dizendo que foi bem na avaliação, teste, seja lá o que for. Acredito essa ser  a vaidade mais egoísta, pois cresce o seu ego destruindo aqueles que realmente tem dificuldade. Vaidade enrustida.

Por fim, o começo. Tudo começa pelo discurso daqueles que tem poder e espaço para sua oratória: pseudoprofessores, pseudo-incentivadores. Uma vez que alguém corrompe a liberdade intelectual do outro em prol de produção a curto prazo, competição exacerbada, cegueira social, inatividade criativa e repetição de conteúdo de terceiros, me sinto no direito de nomear pseudo-ser-humano. Pessoa falsa, pois quer criar na vida de terceiros aquilo que não conseguiu em sua vida.

A venda é pior que um cabresto, com este se enxerga algo, há luz; mas com aquele há a falsa ilusão de saber o que está acontecendo, já que a pessoa está perdida, vazia de visões e somente acredita naquilo que falam para ela e no que ela mesmo fala. Logo, por não verem ao seu redor, esbarram, derrubam e pisam naqueles que não conseguem ver, ou seja, todos.

Boa tarde!

 

|a participação especial|

Quando minha irmã começou a trabalhar, me deu um CD do Charlie Brown Jr. Acústico MTV onde havia uma música com participação especial da Negra Li. Como era novinha, achava que toda vez que o Chorão iria cantar essa canção a Negra Li apareceria magicamente para cantar junto. Doce ilusão.

Assistindo TV, o Charlie Brown apareceu cantando essa música. Então pensei: “Negra Li aparecerá em breve e todo mundo fará cara de feliz”. Que nada! Aprendi nesse dia o que era playback.

Quando mais nova, ocorria uma participação especial em casa todo dia por volta das 18. Todo mundo ficava feliz quando aparecia. Jantávamos juntos, ríamos, discordávamos, éramos felizes e plenos.

Só por aparecer, era especial. O herói, o dono do salame, da pescaria, da oficina no fundo de casa. O Chico. Chicão, para os mais íntimos. Meu pai. Com seus defeitos e qualidades, meu Pai.

Certa vez, minha mãe escreveu que cheguei com uma bagagem bastante grande para alguém tão novo. E no carrinho da montanha russa conheci alguns playbacks da participação especial: meu papagaio, que imitava igualzinho a voz dele; o correio de voz, era a voz dele; cadernos; fotos; fatos. Minha memória.

Não sou triste, mas sabe o que que é? Minha memória me trai e acaba esquecendo os detalhes. Eu era nova. Mas sempre levo comigo o carinho pela caixa de ferramenta, pela morsa que brincava de prender o meu dedo… O peixinho de plástico da pescaria tenho até hoje. Sinto saudade.

Mas apesar de tudo, que bela participação especial tive o prazer de ter comigo para assistir Xena A Princesa Guerreira.

Feliz dia dos Pais!

PS.: Toda vivência com alguém que amamos deve ser tratada como uma participação especial, pois nunca sabemos quando virá o playback. 

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|o vermelho|

Querendo ou não, caí no vermelho.

Conversando com meu cabeleireiro percebi que, por mais que pensemos não saber quais são os nossos gostos, nos voltamos involuntariamente àquilo que nascemos capacitados a fazer.

Quando criança, sempre me perguntavam: “qual a sua cor favorita?”, nunca soube responder. Dizia que dependia do dia, que gostava de todas as cores. Então, passados vários anos, acabo descobrindo minha cor favorita, vermelho.

Como cheguei a essa conclusão? Me peguei usando uma bolsa vermelha com um tênis vermelho e uma blusa de frio vermelha na busca de um batom vermelho. Na hora caiu a ficha: “é vermelho!”.

Meu cabeleireiro descobriu sua profissão mais ou menos da mesma maneira. Nunca se imaginou cabeleireiro e não gostava muito de estudar as matérias da escola. Por quê não fazer um curso de corte de cabelo? Não era lá seu hobbie favorito, mas notou uma desenvoltura maravilhosa na atividade.

Se interessou pela área, pelas novidades. Lia sobre o assunto com prazer. E click caiu a ficha, se viu rodeado de tesouras, secadores e pentes. Descobriu que aquilo era o que tinha que fazer, porque sim.

Reparando essas descobertas sobre gostos, me lembro da época da escolha do curso da faculdade. Os alunos desesperados, um dia gostando de tudo, outro, de nada. Uma confusão mental e emocional absurda, mas acabaram descobrindo que a resposta para essa dúvida estava perto, estava em atitudes, manias e atividade que lhes proporcionavam alegria.

Nem sempre sabemos de tudo quando queremos, mas fiquemos atentos com o estalos, pois são eles que fazem a gente fechar os olhos para o medo e abri-los para o que realmente nos dá gozo. Adendo, toda profissão é rentável se você fizer com amor e não precisar pagar psicólogo pela escolha da carreira que dá dinheiro no momento.

Beijos e boa sorte aos futuros universitários, mestrandos, doutorandos, garis, encanadores, auto elétricos, soldadores, cabeleireiros, policiais, motoristas e cobradores de ônibus, atendentes do BK, vendedores… O mundo precisa de todos vocês.

🙂

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|o brigadeiro|

Hoje, cometerei a ousadia de usar um brigadeiro para falar sobre amor.

Quando falam “brigadeiro”, imagino um doce redondo, preto, com granulado dentro de uma forminha de papel. Mesmo que 90% dos brigadeiros que já comi fossem de colher, uns muito moles, outros muito duros, alguns com uns empelotados de quase queimados. Ou seja, eles tinham um aspecto próximo a um cocô, aceitemos, essa é a realidade!

Contudo, mesmo o brigadeiro tendo a textura e cor de fezes, ele não deixa de ser brigadeiro e de dar água na boca das pessoas. Sim, brigadeiro é bom! Estando no formato que for: colher, copo, bolinha com granulado. Ele é bom. E, por quê? Porque a base se seus ingredientes é a mesma o que muda é o preparo.

Primeiro vem a paixão, depois, o amor. Uma escolha racional. Escolhemos amar.

Gostaria que o amor fosse igual ao gosto por brigadeiro. O amor muda, amadurece, mas continua sendo amor. As pessoas mudam fisicamente, mas continuam sendo pessoas. Tento entender a complexidade que é amar uma pessoa quando esta perde um braço, uma perna, um movimento.

Seria lindo se entendêssemos que escolher amar alguém, envolve amar o que a pessoa genuinamente é, sabendo que ela pode engordar, emagrecer, sofrer um acidente. Amor de aparência é roubada, porque as pessoas mudam fisicamente e com isso este amor muda e tudo pode acabar. Amar a combinação leite condensado + manteiga + achocolatado, independente do resultado final, é lindo, é puro, é eterno.

O amor é doce quando é Amor.

Beijos 🙂

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|a pálpebra|

Uma greve é um período que paro para piscar.

No ensino fundamental aprendi sobre músculos e movimentos que nosso corpo executa sem pedirmos. O coração bate, o estômago faz digestão. Aprendi também sobre movimentos que são involuntários, mas que podemos ter controle por um período de tempo: respirar, piscar… E assim vai.

A rotina da faculdade é algo automático. Despertador toca. Mais cinco minutinhos. Engole um café, é preciso cafeína. Quando dá, come um pão. Chega na aula. Ah! Não! Se soubesse que era aula de revisão, nem vinha. Nossa, esse professor está usando a mesma camiseta da aula passada? Por quê ele não muda o tom da voz? To ficando com sono. Passou só 40 minutos de aula? Quero ir embora. Ufa! Acabou.

E do nada alguém fala para você piscar: “sua faculdade está de greve”.

Despertador toca. Mais cinco minutinhos. Será que tem aula? Engole um café, é preciso cafeína. Quando dá, come um pão. Será que o cronograma continua o mesmo? Chega na aula. Puts! Piquete. Ah! Não! Se soubesse dormiria mais um pouco. Nossa, será que a data da prova é a mesma? Quando é a data da assembléia? Por quê ninguém ouve o que temos a dizer? Será que sou a favor ou contra tudo isso? “Por contraste a greve continua”. Quero ir embora. Ufa! Acabou.

Nesse período você nota que estava em uma rotina. Você repara que as coisas não eram tão bonitas, mas, sim, que você estava alienado em suas regras e horários. Pensar em piscar só existe quando alguém te fala sobre piscar, ou quando, por algum motivo você pensa nisso. E então, pisca. Mas pisca diferente, pensa diferente, olha as coisas de forma diferente. Então, você se distrai, faz outra coisa, e volta a piscar automaticamente.

Esse breque em algo tão simples é o que te permite ver diferentes pontos de vista em uma coisa tão corriqueira. Greve não é bom, mas é necessário. Sair do automático não é confortável para ninguém, mas é necessário. Saia da caixa e pisque um pouco.

Beijos.

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