|as experiências|

Até pouco tempo não sabia que parte da minha ansiedade se dá por experiências, tanto as que tive, quanto as que não tive.

Nesse mundo tecnológico, em que sabemos tudo da vida dos outros, é díficil não se cobrar por querer fazer coisas, e não poder; parece aos outros as coisas são mais fáceis. O mais saudável seria aprender a aceitar as experiências de outras pessoas e aprender com isso para saber o que fazer quando chegar a sua hora. O problema é saber esperar chegar a sua hora…

Por outro lado, vemos pessoas passando por situações que já temos conhecimento, até tentamos ajudar, mas sem muito êxito. O ser humano é muito capaz para aceitar conselhos, então só pensamos:”a vida ensina!”. Mas, sabe, às vezes a vida surpreende e não ensina nada. A pessoa nunca passará pela experiência que você passou, e se passar, não muda em nada, pois o sentimento do que houve é pessoal e intrasferível.

No final das contas, o plano é se aceitar e ver que todo dia é uma nova chance para conquistarmos mais experiências, seja ela conhecer lugares ou conhecer pessoas que vemos diariamente e nem damos bom dia. O plano é se permitir enxergar que as oportunidades são diferentes para cada um e que não é por acaso que você e eu nos encontramos onde estamos.

Amadurecer é preciso.

Bom dia 🙂

 

 

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|a parede de vidro|

Quando vi que precisava mudar de casa, meus olhos começaram a olhar diferente para as residências da região.

Dentre elas, havia uma que considerava especial: um prédio todo colorido perto da faculdade. Sendo que o que mais me atraía era a cozinha, que tinha uma parede de vidro que dava para a rua. Ficava imaginando como seria acordar com toda aquela luz dentro de casa, deveria ser ótimo.

Assim que encontrei a dupla que moraria comigo, começamos a procurar a casinha. E foi então que tive que abrir mão da minha parede de vidro e todos o momentos que eu criei na minha cabeça ao me mudar para um lugar nem perto nem semelhante aquele.

Parece que a vida surpreende a gente, não é mesmo? Eu queria tanto aquela cozinha, que acabei ganhando uma varanda na casa nova! Nela coloco minhas filhas (vulgo plantas), saio para tomar um ar e consigo uma luminosidade ótima dentro de casa.

Pois é… A vida mostra que vai além do limites, mesmo que transparentes, que impomos àquilo que acreditamos.

Acredite.

Bom dia!

 

|o lagostim|

Falo que estou enjoada de Master Chef, mas é só ver a Paola Carosella que cedo.

Essa semana, no programa culinário, os participantes tinham que limpar lagostins. Claro, foi aquela loucura, as câmeras quase me deixando vesga de tanto que rodavam pelo estúdio.

Ao final, a conferência do trabalho de todos. Dois participantes haviam limpado perfeitamente os crustáceos, um ganhou e outro não. Por quê? Uma pessoa havia arrumado os lagostins por ordem de tamanho no suporte, e a outra apenas limpou e colocou de qualquer jeito no local indicado.

Parece simples, mas os detalhes fazem a diferença. E, uma vez que não há uma regra de desempate pré-estabelecida para as coisas que fazemos, acredito que conseguir olhar nossa produção como um consumidor nos faz ter uma maior noção de como produzir algo melhor para o todo.

É o lema: “faça bem feito para fazer apenas uma vez”.

Bom dia 🙂

 

|a resistência do chuveiro|

Com a vinda do inverno, mudei a temperatura do chuveiro para o modo mais quente. Assim que mexi na chave, senti que algo estava estranho, a resistência queimou. E lá fomos eu e meu namorado tentar trocar a resistência…

Primeiramente, precisávamos descobrir qual era a resistência. Então, abrimos o chuveiro, retiramos a estourada e compramos duas unidades do mesmo modelo da antiga.

Posta a primeira resistência, suspense para encher o chuveiro e ver se arrumamos corretamente. Testamos a primeira potência, perfeito! Testamos a segunda, perfeito!

Testamos a terceira, fogos de artifício saíram e a resistência queimou. Fizemos o mesmo para a segunda resistência e também a queimamos.

Em alguns momentos da vida, acreditamos que tomar o mesmo posicionamento já bem sucedido em tempos anteriores pode resultar bons frutos, e nos frustramos, fazendo com que percamos um pouco o nosso ritmo e autoconfiança.

Parece que no passado as coisas eram melhores e mais fáceis. O mundo era mais colorido e éramos mais felizes por saber lidar com as coisas… Pura enganação! A vida sempre foi um desafio, pois o ser humano gosta de mudar e se desafiar constantemente.

Com isso, o tempo de hoje é só mais uma fase em que não temos uma receita exata para lidar com nossos conflitos internos e externos, mas que precisamos nos dispor a aprender, de peito aberto, a lidar com as novidades que surgem.

A resistência queimou não por causa de P.U. (problemas de usuário), mas sim porque a resistência antiga, que usamos como base, não era a mais adequada para o chuveiro em questão.

Sair do óbvio gasta energia, mas um banho quente no inverno é muito bom.

Boa tarde.

|o projeto|

Lembro-me como se fosse ontem do meu processo seletivo. Um desastre. Saí chorando como um bebê. Não sabia nem que rumo tomar. Uma bofetada na cara.

Passado algum tempo, um email. Passei. Passei? PASSEI! Desacreditei do que estava lendo. Como assim passara se eu havia ido tão mal na seletiva? Não entendi no começo, mas abri o peito e me joguei em mais esse desafio.

Chegando lá, descobri que não havia passado no cargo que eu almejava. Entretanto, já estava dentro, poderia com o tempo chegar onde queria.

O trabalho começou.

Não foi muito difícil me encaixar em minhas funções. Comecei a ver com outros olhos o cargo que haviam me dado e comecei a entender sua relevância.

Passado um semestre, algumas pessoas nos deixaram, outras chegaram. Novos aprendizados, novos desafios. Passou outro semestre, outras saídas, outras entradas…

Hoje, não muito longe de quando chorei saindo do processo seletivo, eu consigo ver que nada é por acaso. O cargo que me deram acabou se tornando muito melhor que o que eu sonhei.

Nada é por acaso.

Boa noite.

|o paraquedas|

Em 2013, decidi pular de paraquedas. Minha mãe detestou a ideia, logo tive que juntar sozinha as moedas para conseguir ir. Um freela aqui, outra festinha ali. Consegui!

Após o trabalho para ter a quantidade de dinheiro, juntei-me ao meu companheiro de aventuras e fomos à base de paraquedismo. Frio na barriga, medo, aula preparatória. Vi-me andando até o avião, mesmo que nunca tivesse voado em um.

Entrei, sentei, e não queria pensar em mais nada, só precisava aproveitar o momento. Então, após muitos pés de altura, a porta abriu, a curvatura da terra se mostrou. Não havia muito tempo para deslumbre.

Saltei e ainda dei uma pirueta dupla, para mostrar para a vida que estava preparada ao desafio que plantei. Medo de morrer? Não havia muito tempo para pensar nisso, honestamente.

Quarenta segundos e o paraquedas abriu, o coração bateu mais devagar. As coisas voltaram ao lugar. Pisei no solo, e só queria uma coisa: pular novamente. Queria mais desafios a mim mesma.

Carrego comigo essa vontade ainda. Porque, na vida, se não tivermos a habilidade de passar por desafios de forma honesta e de peito aberto, não nos permitimos sentir a liberdade de chegar no resultado final.

Bom dia!

|a reinvenção|

Reinventar-se não é nada mais nada menos do que ser persistente mudando as estratégias.

Sempre gostei de trabalhos manuais, apostando na minha criatividade e autocrítica do que fazia. Não precisava da aceitação dos outros quanto ao meu trabalho, somente o meu julgamento bastava, pois o esforço era meu.

Durante bastante tempo usei recicláveis, tanto é que já era conhecida no local de reciclagem do prédio. Adorava pegar tampas de refrigerante, embalagens de xampo, os vidros de geleia eram os melhores! Que tempo bom de sucata!

Passado alguns anos, eu queria criar estruturas. Ainda gostava dos recicláveis, mas precisava comprar alguns ítens. Palitos de sorvete. Algo melhor que eles para fazer uma sapateira?

Peguei meus conhecimentos da faculdade e apliquei na prática. Fiz desenhos tortos e medidas imprecisas. Hoje, tenho uns 10 pares de sapato guardados na sapateira. Ela não parece confiável, mas nunca me deixou na mão.

Reinventar o uso do palito de sorvete, reinventar os materiais que usava, reinventar-me em escolhas e decisões. Por mais que pareça que a sapateira vai cair, ela está de pé há um ano. E aceito o medo das pessoas em chegar perto, pois ela não tem uma aparência rígida.

Diversas frustrações, medos, inseguranças me rodeiam por esses tempos. Mas… Sabe… Do chão a sapateira não passa. Pego os palitos bons e os reaproveito. Pego os ruins e os substituo. Uso rebites ao inves de cola quente. Reinvento a roda e aceito que quando se está no fundo poço, a única alternativa é subir.

Bom dia!